A disseminação da Influenza Aviária Altamente Patogênica segue avançando na Europa em 2026, com destaque para a Polônia, que concentra o maior número de focos em granjas comerciais neste ano. Dados atualizados até 20 de abril indicam a detecção do sorotipo H5N1 em 36 estabelecimentos avícolas apenas no mês, elevando o total anual para 92 surtos no país.
A doença atingiu diferentes segmentos da produção, com predominância em perus de corte, mas também com registros em frangos de corte, galinhas poedeiras, matrizes, patos e gansos. O impacto nos plantéis varia significativamente, com lotes afetados indo de pouco mais de mil aves até unidades com mais de 340 mil frangos.
Milhões de aves afetadas e concentração regional de casos
Desde o início do ano, aproximadamente 6,46 milhões de aves comerciais foram impactadas na Polônia, considerando mortalidade e abates sanitários. A região da Mazóvia concentra a maior parte dos focos recentes, embora a doença também esteja presente em outras províncias, como Vármia-Masúria, Grande Polônia, Cujávia-Pomerânia e Lublin.
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No contexto regional, a Europa já contabiliza 240 surtos de IAAP em aves comerciais distribuídos em 16 países, conforme dados do sistema de monitoramento da Comissão Europeia. Todos os casos registrados em 2026 envolvem a variante H5N1 do vírus.
Polônia lidera número de surtos na Europa
A Polônia lidera o ranking europeu de focos em granjas comerciais, seguida por Alemanha, com 38 surtos, e Itália, com 19 registros. França e Holanda aparecem na sequência, com 16 ocorrências cada.
Na Dinamarca, novos casos também foram registrados recentemente, embora em menor escala. Já na Grã-Bretanha, fora do sistema europeu, foram confirmados quatro novos surtos em granjas comerciais no leste da Inglaterra, totalizando 19 casos em 2026.
França declara controle da doença em granjas comerciais
Em contraste com o avanço em outros países, a França informou à Organização Mundial de Saúde Animal que a situação da IAAP em suas granjas comerciais foi considerada resolvida. Desde outubro de 2025, o país havia registrado 121 surtos, com impacto em cerca de 1,96 milhão de aves.
Casos em aves em cativeiro e expansão em fauna silvestre
Além das granjas comerciais, a IAAP também avança em aves em cativeiro e populações não comerciais. Em 2026, 14 países europeus registraram 104 surtos nesse segmento, que inclui criações domésticas, zoológicos e outras instalações. A Alemanha lidera essa categoria, com 39 ocorrências.
Na Polônia, 15 focos foram confirmados em aves domésticas e de cativeiro, afetando mais de 1.300 animais, com registros recentes em diferentes regiões do país.
A situação também se agrava entre aves silvestres. Até meados de abril, 30 países europeus notificaram 2.317 surtos nessa população, sendo a Alemanha responsável pelo maior número de casos, com 1.346 registros. A Polônia, Bélgica e Holanda também apresentam números elevados.
Pressão sanitária reforça necessidade de vigilância contínua
O avanço do H5N1 em diferentes sistemas de produção e em aves silvestres evidencia a complexidade do controle da doença na Europa. A ampla circulação do vírus aumenta o risco de novos focos e reforça a importância de medidas rigorosas de biosseguridade, monitoramento e resposta rápida.
O cenário atual mantém o setor avícola europeu em alerta, com impactos diretos sobre a produção, o comércio e a gestão sanitária, exigindo coordenação entre autoridades e cadeia produtiva para conter a disseminação da doença.
Referência: WATTAgnet




