Em uma tendência que se consolida ao redor do mundo, o Reino Unido deverá aprovar uma lei para banir o uso de smartphones pelos alunos dentro das escolas.
A proposta parlamentar ganhou o apoio do primeiro-ministro Keir Starmer, que se rendeu à pressão de pais, professores e dos partidos de oposição.
De acordo com o Financial Times, Starmer vinha resistindo a apoiar a restrição legal, preferindo sugerir restrições mas dando autonomia às escolas para criarem suas próprias regras de uso do celular.
Em fevereiro, o Departamento de Educação do UK publicou um guia com diretrizes recomendando que “todas as escolas devem ser ambientes livres de celulares” durante todo o dia.
Agora os trabalhistas – sob forte pressão política – aceitaram apoiar uma legislação apresentada por um deputado do Partido Conservador. Segundo o Departamento de Educação, a emenda “dará força legal para aquilo que as escolas já estão fazendo na prática”.
Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Comissário para a Infância da Inglaterra mostrou que 99,8% das escolas primárias e 90% das secundárias restringiam o uso de celulares nas dependências escolares.
Pepe Di’Iasio, secretário-geral da Associação de Líderes de Escolas e Faculdades, disse ao Guardian que a proibição legal não deverá mudar muita coisa.
“A maioria das escolas já possui políticas que proíbem o uso de celulares pelos alunos,” disse. “O que seria realmente útil é o governo disponibilizar verbas para que as escolas possam guardar os celulares em local seguro, como armários ou bolsas com cadeado.”
O Reino Unido debate agora se deve banir também o uso de redes sociais por crianças e adolescentes com menos de 16 anos, de maneira similar ao que foi feito na Austrália.
No Brasil, uma lei federal sancionada em janeiro do ano passado proibiu o uso de smartphones e aparelhos eletrônicos por alunos da educação básica – tanto na rede pública como privada.
É uma iniciativa que se consolida em todo o mundo. De acordo com a Unesco, 114 países já implementaram a proibição do uso de celulares na escola – o que representa 58% das nações. Há três anos, havia restrições em 24% dos países.
“Esse crescimento reflete as crescentes preocupações com a diminuição da atenção em sala de aula, o cyberbullying e a influência dos ambientes digitais sobre as crianças,” a entidade disse em um relatório publicado no mês passado.
Mesmo o uso de tablets agora começa a ser questionado.
Dez anos atrás a Noruega – dona de um dos melhores sistemas educacionais do planeta – decidiu distribuir iPads e outros dispositivos digitais para crianças a partir dos cinco anos. Era uma iniciativa para modernizar o ensino.
Passada uma década, o resultado foi uma queda nos índices de leitura e compreensão de texto.
Segundo o The Times, cerca de 500 mil noruegueses (em uma população total de apenas 5,6 milhões de pessoas) não conseguem ler uma mensagem de texto ou instruções simples.
Entre 65 países avaliados pelo PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study), que avalia o prazer da leitura entre crianças, a Noruega ficou na última posição.
A Noruega também caiu abaixo da média internacional – e muito abaixo do Reino Unido – nos índices de leitura do exame Pisa, realizado pela OCDE. Antes da introdução dos iPads na sala de aula, os alunos do país tinham desempenho acima dos britânicos e da média internacional.
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