Bloomberg — Um membro do conselho da Petrobras nomeado por acionistas não controladores alerta que a estatal está perdendo bilhões com as vendas de combustível com preços abaixo do mercado e corre o risco de sofrer danos à reputação.
A Petrobras (PETR3; PETR4) acumulou entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões em perdas com a venda de diesel abaixo dos preços internacionais desde o início da guerra do Irã, de acordo com estimativas de Francisco Petros, que foi eleito para um quinto mandato em 16 de abril.
A política de preços da Petrobras exige que a empresa proteja os consumidores da volatilidade de curto prazo.
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A posição de Petros, embora não seja compartilhada pela maioria do conselho, reflete a preocupação dos investidores de que a Petrobras possa estar novamente absorvendo perdas para manter os custos dos combustíveis baixos – uma questão politicamente sensível no Brasil que historicamente tem pesado no balanço da empresa.
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Suas opiniões têm peso porque ele representa um bloco considerável de investidores não controladores e pode agir como um contrapeso à maioria do governo no conselho.
“Infelizmente, um problema que é estruturalmente econômico pode ser usado para fins políticos”, disse Petros em uma entrevista à Bloomberg News.
A Petrobras não comentou. O governo controla seis das 11 cadeiras do conselho.
A Petrobras aumentou os preços do diesel no atacado uma vez desde que o conflito provocou uma disparada, enquanto os preços da gasolina no atacado permaneceram inalterados e estão cerca de 30% abaixo dos níveis internacionais, calcula ele.
Petros, que é advogado e economista, alertou a Petrobras de que o adiamento dos ajustes poderia prejudicar o cumprimento de sua própria política – uma preocupação importante do mercado, dado o histórico de dívidas da empresa, que é movida a subsídios.
“A gasolina tem um impacto mais direto sobre a popularidade do governo. Portanto, parece-me que essa restrição pode, em última análise, servir a algum outro interesse”, disse ele. “Demonstrar que esse não é o caso tem que ser concreto – o que significa aumentar os preços.”
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Embora Petros não veja a mesma “interferência política rigorosa” nos preços dos combustíveis da Petrobras como no passado, ele disse que a empresa deveria começar a ajustá-los gradualmente para mostrar sua independência.
A inflação de energia alimentada pela guerra coloca a CEO Magda Chambriard em uma posição em que ela precisa navegar entre as finanças da empresa e os esforços do governo para proteger os consumidores.
“Pela primeira vez sob a administração da presidente Magda, a política de preços será posta à prova”, disse ele.
A guerra no Irã reacendeu o debate sobre a busca por autossuficiência em refino. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que a Petrobras tentará recomprar uma refinaria na Bahia vendida à Mubadala Capital. Para Petros, a companhia deveria readquirir apenas ativos que façam sentido estratégico e financeiro.
“Tenho dúvidas se as antigas refinarias da Petrobras, hoje privatizadas, atenderiam a ambos os critérios”, afirmou.
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