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Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas, mas sobrenome pesa entre eleitores i…

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Bloomberg — O sobrenome famoso de Flávio Bolsonaro ajudou a impulsionar sua ascensão na corrida presidencial do Brasil, colocando-o lado a lado com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva mesmo antes do início da campanha oficial.

Mas, à medida que os números das pesquisas do senador de 44 anos se estabilizam, ele passa a enfrentar a desvantagem de ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o risco de que seu nome possa acabar lhe custando a eleição de outubro.

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Seu dilema é que ele precisa mobilizar os conservadores que ainda são profundamente leais ao seu pai e, ao mesmo tempo, apelar para os eleitores indecisos que veem sua família como tóxica.

Flavio Bolsonaro foi escolhido a dedo por seu pai no final do ano passado, depois que o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão por tentar anular sua derrota em 2022.

Desde então, ele tem procurado se apresentar como um membro mais moderado da família.

“Não vou tentar ser como ele”, disse ele a repórteres este mês. “Não preciso ficar explicando meu sobrenome, com todos os seus prós e contras.”

Ele rompeu com seu pai em várias questões sociais, vacinando-se contra a Covid-19, compartilhando mensagens antirracistas e endossando conteúdo pró-LGBTQ online.

Tudo isso é um posicionamento contrário a Jair Bolsonaro, que recusou a vacina, disse que preferia ter um filho morto a ser gay e foi multado por acusações de comentários racistas sobre um brasileiro negro.

Leia também: Queda de popularidade e avanço de Flávio Bolsonaro desafiam estratégia de Lula

Os aliados até passaram a se referir a ele apenas como “Flavio”, omitindo seu sobrenome da mesma forma que os brasileiros fazem com os craques do futebol.

Em uma resposta por escrito a um pedido de comentário, a campanha de Bolsonaro disse que o candidato é “alguém mais centrado, equilibrado e disposto a se envolver, ouvir e construir consenso”.

Ao mesmo tempo, o porta-voz disse que ele é seu próprio homem, e não a criação de estrategistas de campanha.

Presidência caótica

A corrida de 2026 deve se tornar a terceira votação presidencial consecutiva colocando Lula ou um de seus aliados contra um membro da família Bolsonaro.

Ambas as campanhas devem atrair eleitores centristas para conquistar a maioria em uma nação profundamente polarizada.

A presidência caótica de Jair Bolsonaro, que incluiu um dos maiores números de mortes relacionadas à Covid do mundo e culminou em uma tentativa de insurreição que levou à sua condenação, repeliu muitos brasileiros. As pesquisas sugerem limites para a capacidade de Flávio de mudar sua marca.

Cerca de 46% dos eleitores afirmam que nunca votarão nele, praticamente igual à parcela que diz o mesmo sobre Lula, segundo pesquisa do Datafolha realizada este mês.

Quase metade diz que não o vê como mais moderado do que outros membros da família, incluindo seu pai, de acordo com uma pesquisa da Quaest publicada em março.

Novos apoiadores

Atrair novos apoiadores provavelmente se tornará cada vez mais difícil, testando um político relativamente inexperiente cuja única grande vitória na campanha – sua eleição para o Senado em 2018 – veio com seu pai no topo da votação.

Até o momento, Bolsonaro tem subido nas pesquisas, evitando grandes declarações políticas. Ele adiou o lançamento de sua plataforma e deu poucas dicas sobre quem ele escolheria para cargos importantes, como o de ministro da Fazenda.

Na Conferência de Ação Política Conservadora, favorável a Donald Trump, em março, Flávio Bolsonaro fez um tipo de discurso que lembra a retórica de seu pai, denunciando a “tirania da Covid”, uma “agenda ambiental radical” e uma “agenda de esquerda que destrói famílias”.

Os assessores que trabalhavam para polir sua imagem moderada ficaram alarmados. Sua campanha disse que ele adaptou seus comentários ao público, usando a “linguagem política típica daquele ambiente”.

Bolsonaro deixou claro que libertar seu pai da prisão ou da prisão domiciliar é seu principal objetivo, embora as pesquisas mostrem que a maioria dos brasileiros se opõe a uma anistia para o ex-presidente.

Ao mesmo tempo, ele tem se esforçado para administrar as divisões dentro de seu próprio campo político – e de sua família.

Ele pediu publicamente a união entre os aliados, incluindo seu irmão Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira, em meio a acusações nas mídias sociais de que partes da direita não estavam apoiando suficientemente sua candidatura.

Lula começou a partir para a ofensiva, visando o relacionamento caloroso da família com Trump, que, segundo ele, ameaça a soberania do Brasil.

Lula recebeu um impulso de popularidade no ano passado, quando Trump impôs tarifas de 50% ao Brasil em uma tentativa de impedir o julgamento de Bolsonaro.

De acordo com a Quaest, 48% dos eleitores têm uma visão desfavorável dos EUA, e o apoio percebido de Trump prejudica mais do que ajuda Bolsonaro.

Lula também atacou Bolsonaro por tentar se apresentar como um moderado.

“Temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de prisão. Temos quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram dar um golpe”, disse Lula no sábado, referindo-se à tentativa de insurreição de 2023 que levou à condenação de Jair Bolsonaro.

“Mas o extremismo não acabou”, continuou. “Ainda está vivo e vai disputar a eleição de novo”.

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