Bloomberg Línea — A Treasury Wine Estates, maior produtora de vinhos da Austrália, anunciou nesta quarta-feira (22) uma reorganização operacional global e divulgou dados de vendas que apontam recuperação em seus dois principais mercados: China e Estados Unidos.
O grupo informou à bolsa de valores de Sidney que adotará um modelo regional dividido em quatro divisões a partir de outubro, como parte do programa de transformação conduzido pelo CEO Sam Fischer, que assumiu o cargo em outubro do ano passado.
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O principal problema identificado por Fischer no mercado chinês era estrutural. Até então, uma parte relevante dos produtos da Penfolds, marca premium do grupo, circulava fora dos canais autorizados — vendida em plataformas de comércio eletrônico e outros intermediários não oficiais.
Esse fluxo paralelo pressionava os preços e corroía o posicionamento da marca. A estratégia do CEO foi reforçar o controle da distribuição e migrar esses volumes para os canais próprios da empresa.
Os resultados começaram a aparecer.
As depleções da Penfolds na China — o volume transferido dos distribuidores para o varejo — cresceram 40% no período do ano novo lunar em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, em base sazonalmente ajustada.
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Na Ásia excluindo China, o avanço foi de 14% no terceiro trimestre fiscal; na Austrália e Nova Zelândia, de 11%.
“Continuaremos sendo muito diligentes, engajando com os clientes e garantindo o preço correto, especialmente diante das flutuações cambiais”, disse Fischer à Bloomberg News.
A melhora operacional veio acompanhada de uma reestruturação organizacional.
A partir de 1º de outubro, a Treasury passará a operar com quatro divisões regionais: Américas; China; Mercados Emergentes (Ásia, Oriente Médio e África); e Austrália, Nova Zelândia e Europa. O objetivo é criar maior responsabilização por resultado em cada mercado e acelerar decisões com base na proximidade aos consumidores locais.
O modelo preserva o controle centralizado da estratégia de marca da Penfolds — uma salvaguarda para garantir consistência global no portfólio de luxo.
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O grupo também anunciou uma meta de corte de custos operacionais da ordem de US$ 100 milhões anuais, com realização prevista em dois a três anos. Os detalhes serão apresentados no Investor Day marcado para 4 de junho.
No mercado americano, as depleções cresceram 9,1% no terceiro trimestre fiscal em relação ao mesmo período do ano anterior — inversão expressiva frente à queda de 2,6% registrada no primeiro semestre.
A recuperação foi puxada por marcas como DAOU, com alta de 10,3%, Stags’ Leap, com 10,1%, e Frank Family Vineyards, com 5,9%.
A Califórnia, que havia concentrado parte dos problemas de distribuição, voltou a registrar crescimento após a conclusão da transição de distribuidores no semestre anterior.
No campo financeiro, a Treasury estabeleceu novos compromissos de dívida de cerca de US$ 215 milhões junto a bancos do seu grupo global de credores, para refinanciar vencimentos previstos para o próximo ano fiscal. A empresa estima que sua posição de liquidez superará US$ 1 bilhão ao fim do exercício atual.
Os dados operacionais e o anúncio da reestruturação foram suficientes para provocar uma reação expressiva no mercado.
As ações da Treasury subiram até 19,8% no pregão desta quarta-feira na bolsa australiana — maior salto intradiário desde maio de 2014.
A Treasury enfrentou dificuldades em meio a uma queda global no consumo de álcool em face da incerteza econômica e de um impulso por alternativas mais saudáveis.
Os acionistas ficaram desapontados com um retorno pouco satisfatório ao mercado chinês após o levantamento das tarifas em 2024, enquanto os desafios de distribuição nos EUA também prejudicaram as operações. Em março, o preço das ações da Treasury caiu para o nível mais baixo em 12 anos.
— Com informações da Bloomberg News




