O mercado brasileiro de suínos segue pressionado, com registro da terceira semana consecutiva de queda nas cotações do animal vivo e da carne. Dados divulgados pelo Cepea nesta quinta-feira (23) indicam que o movimento é impulsionado principalmente pela combinação entre demanda doméstica enfraquecida e maior oferta no mercado interno.
Segundo o levantamento, as desvalorizações mais intensas foram observadas nas praças da região Sul, importante polo da produção suinícola nacional. O aumento da disponibilidade de animais para abate, aliado ao consumo interno abaixo do esperado, tem dificultado a sustentação dos preços ao longo das últimas semanas.
Pesquisadores do Cepea destacam que, mesmo com estratégias de escoamento da produção, o cenário doméstico ainda é de fragilidade. A demanda interna segue aquém do necessário para absorver o volume ofertado, mantendo a pressão negativa sobre o mercado.
Por outro lado, o desempenho das exportações brasileiras de carne suína continua em destaque. De acordo com a Secex, na parcial de abril, a média diária de embarques alcançou 6,2 mil toneladas, o maior patamar da série histórica e 3,3% superior ao registrado em março.
Apesar do avanço nas vendas externas, o impacto sobre o mercado interno ainda é limitado. Isso porque, conforme ressaltam os analistas do Cepea, as exportações representam entre 25% e 30% da produção nacional de carne suína.
Nesse contexto, ainda que o ritmo recorde de embarques contribua para reduzir a disponibilidade interna, não tem sido suficiente para reverter a tendência de queda nos preços. O comportamento da demanda doméstica segue como principal variável a ser observada para uma possível recuperação das cotações no curto prazo.
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