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Investidores reagem mal à oferta da Ecopetrol e veem risco de destruição de valor na Brava

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A aquisição de 26% da Brava Energia pela Ecopetrol por R$ 2,8 bilhões e a proposta de OPA para alcançar 51% do capital geraram desconfiança entre investidores, resultando em queda nas ações da Brava.

Analistas apontam que a OPA, com preço fixado em R$ 23 por ação, é limitada a 25% do capital, o que pode deixar acionistas com 66,2% de suas ações originais. Há dúvidas também sobre a necessidade de uma OPA abrangente e se a operação será transformacional para ambas as empresas.

Embora a Ecopetrol ganhe acesso a novos ativos, a produção da Brava pode ter crescimento limitado nos próximos anos. Além disso, a mudança de controle pode alterar a estratégia da Brava, gerando incertezas no mercado.

A transação também enfrenta riscos políticos, especialmente com a postura do presidente colombiano, Gustavo Petro, em relação ao mercado de petróleo.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O anúncio de que a colombiana Ecopetrol fechou um acordo para adquirir 26% da Brava Energia por R$ 2,8 bilhões e realizar uma oferta pública de ações (OPA) para atingir 51% do capital social da companhia não caiu bem entre os investidores.

Por volta das 12h06, as ações da petroleira independente caíam 3,87%, a R$ 19,39, depois de abrirem o pregão recuando quase 8%, por conta das dúvidas em relação aos termos da OPA e ao que será da companhia sob controle da estatal de petróleo da Colômbia.

A Ecopetrol pretende lançar uma OPA, com o preço por ação definido em R$ 23, sem ajustes monetários. A OPA será limitada ao número de ações necessário para que a Ecopetrol atinja 51% do capital votante — a aquisição de 25% adicionais do capital da Brava.

Segundo o analista Regis Cardoso, da XP Investimentos, mesmo com a proposta estabelecendo um preço por ação acima do negociado atualmente, os papéis da Brava estão caindo pelo receio dos investidores com o valor do dinheiro no tempo até a realização da OPA, num momento em que o petróleo opera em queda, além do valor de mercado da participação remanescente após a OPA.

“Caso a demanda proveniente dos 74% restantes do capital social exceda o limite de 25% da oferta, as vendas serão rateadas proporcionalmente”, diz trecho do relatório. “Caso todos os acionistas elegíveis ofertem a totalidade de suas participações, as aceitações seriam limitadas a 33,8%, deixando os investidores com 66,2% de suas posições originais. Essas ações remanescentes continuariam a ser negociadas livremente no mercado, potencialmente a preços inferiores ao nível da OPA de R$ 23.”

Ele cita ainda a dúvida que paira entre os investidores sobre se a OPA não deveria mirar todas as ações da Brava. Para Cardoso, a Ecopetrol e os acionistas vendedores da Brava adotaram a interpretação e estruturaram a operação como formação de controle, e não como transferência de controle.

Segundo ele, apesar dos vendedores serem signatários do acordo de acionistas, eles não elegem formalmente a maioria do conselho de administração. Sob essa interpretação, não seria obrigatória uma OPA por todas as ações.

“Ainda assim, a Ecopetrol está lançando uma OPA voluntária para adquirir ações adicionais, mas limitou sua intenção a 51% do capital votante, percentual suficiente para consolidar o controle”, destaca o analista da XP.

Além dos termos financeiros, os investidores demonstram dúvidas sobre se a operação poderá ser de fato transformacional para a Ecopetrol e para a Brava e se realmente irá adiante.

Para a Ecopetrol, os méritos estão claros. Analistas do BTG Pactual apontam que a companhia passa a acessar mais opções para seu portfólio de exploração e produção, com uma valorização vinda de eventuais desinvestimentos da Petrobras.

No caso da Brava, o relatório diz que a Ecopetrol traz a experiência de operar ativos onshore maduros, algo capaz de desbloquear valor adicional na Brava. “A Brava é a única empresa independente no Brasil a ter desenvolvido um ativo offshore, Atlanta, do zero”, dizem os analistas Daniel Guardiola, Rodrigo Almeida, Alvaro Leyva e Gustavo Cunha.

Apesar disso, eles destacam que a Ecopetrol terá dificuldades de extrair valor da transação, ao menos no curto prazo, considerando que a valorização vinda da Brava será limitada nos próximos anos.

“Embora o acordo impulsione imediatamente a produção da Ecopetrol, nossas estimativas sugerem que a produção da Brava poderá atingir um pico de cerca de 99 mil boe/d [barris de óleo equivalente por dia] em 2027, ante 81 mil boe/d em 2025, antes de entrar em declínio”, diz trecho do relatório.

Esse é um ponto também levantado pelo analista da XP. Ele diz que os investidores remanescentes passarão a ser minoritários numa companhia cuja estratégia pode mudar sob um novo controlador — em especial uma estatal colombiana, com interesse em ampliar produção e reservas.

“Isso pode implicar uma mudança do atual foco da Brava em otimização de portfólio para uma estratégia mais orientada a crescimento e com maior intensidade de capex, embora os detalhes só fiquem claros quando a Ecopetrol divulgar seus planos. Nesse contexto de incerteza, o mercado parece atribuir um valor mais baixo às ações em circulação da Brava após a OPA”, diz trecho do relatório.

Os analistas do BTG Pactual dizem também que há um risco político na transação, dessa vez vindo da Colômbia.

“Destacamos que um ponto fundamental a ser monitorado é a reação do presidente [Gustavo] Petro, já que sua firme postura antipetróleo inviabilizou transações transformadoras para a Ecopetrol, principalmente a aquisição [de 30%] da CrownRock [produtora de óleo de xisto americana] em 2024, e pode voltar a ser uma importante fonte de incerteza, especialmente porque a Colômbia realizará eleições no próximo mês”, diz trecho do relatório.

As ações da Brava acumulam alta de 16,3% no ano, levando o valor de mercado da companhia a R$ 9,01 bilhões.



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