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A alta nos preços internacionais do petróleo e do gás natural pode aumentar os custos de geração de energia no Brasil, impactando diretamente o consumidor. A consultoria Thymos Energia alerta que a elevação da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e do Custo Variável Unitário (CVU) das termelétricas, que dependem de combustíveis fósseis, será repassada à tarifa de luz.
Durante a guerra na Ucrânia, o preço do Brent superou US$ 139 por barril, resultando em um aumento de 41% na CCC. Com a nova escalada no Oriente Médio, o Brent ultrapassou US$ 100, reacendendo preocupações sobre a CCC, que não possui um teto legal.
Além disso, a menor disponibilidade hídrica no período seco pode intensificar o impacto do CVU. A consultoria TR Soluções prevê um custo anual de R$ 48 bilhões em encargos a partir de 2026, com aumento de 7,5% nas tarifas até 2032, afetando especialmente as indústrias.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Além de todos os problemas causados no setor produtivo brasileiro e global, a alta recente nos preços internacionais do petróleo e do gás natural pode pressionar os custos de geração de energia no País, com efeitos que tendem a chegar ao bolso do consumidor.
A advertência é da consultoria Thymos Energia, que divulgou um estudo prevendo o impacto da elevação dos preços de combustíveis em dois indicadores do sistema elétrico que são repassados à conta de luz.
Um deles é o aumento da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que subsidia a geração de energia em sistemas isolados, especialmente na Região Norte. Outro ponto de atenção é o aumento do Custo Variável Unitário (CVU) das termelétricas. Nos dois casos, a geração de energia depende de combustíveis fósseis, cuja elevação de preço acaba chegando à tarifa de luz.
Outro levantamento, da TR Soluções, estima que a contratação de potência para o sistema elétrico brasileiro por meio dos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs) de março vai gerar um custo anual de R$ 48 bilhões em encargos a partir do início da próxima década, que também serão repassados para a conta de luz. Até 2032, consumidores terão 7,5% de aumento nas tarifas e as grandes indústrias, 13,5%.
O estudo da Thymos não calcula quanto a tarifa da luz será impactada com o conflito no Oriente Médio, mesmo porque as oscilações do preço do petróleo e do gás natural ainda seguem em curso.
Durante a guerra na Ucrânia, em 2022, por exemplo, o Brent – índice de petróleo e utilizado como referência internacional para preços – chegou a superar US$ 139 por barril. No mesmo período, a CCC registrou um crescimento de 41% em relação ao ano anterior, impulsionada pela alta dos combustíveis fósseis.
Agora, com a nova escalada no Oriente Médio, o Brent voltou a superar a marca dos US$ 100 por barril, atingindo US$ 109,27 em 7 de abril, o que reacende o alerta para a pressão sobre esse encargo. A má notícia é que, diferentemente de outros indicadores, a CCC não tem um teto definido em lei, o que significa que todo aumento é integralmente repassado ao consumidor por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
O aumento do Custo Variável Unitário (CVU) das termelétricas também merece atenção. “A partir do momento em que os combustíveis ficam mais caros, essas usinas tornam-se mais onerosas para o sistema elétrico”, afirma Ana Paula Ferme, Head de Utilities e Regulação Econômica na Thymos.
Além disso, abril marca o início do período seco no País, com menos incidências de chuva. Em um cenário hidrológico mais restritivo, o efeito do aumento do CVU pode ser ainda mais intenso, já que a menor disponibilidade hídrica tende a ampliar o despacho térmico justamente em um contexto de combustíveis mais caros.
A consequência, segundo Ferme, é a elevação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência do mercado de curto prazo de energia, com potencial de pressionar ainda mais o custo da energia no País. Ou seja, os contratos de compra de energia das distribuidoras podem sofrer reajustes em função do aumento do PLD e do custo térmico, pressionando ainda mais as tarifas.
Os efeitos, contudo, não devem ser percebidos de forma homogênea nem simultânea. A elevação do PLD deve ser sentida de forma mais imediata. Já os impactos sobre a CCC caminham para se materializar posteriormente, sendo notados de forma mais intensa nos ciclos tarifários seguintes.
Caso a crise se intensifique e haja revisão do orçamento da CDE no decorrer de 2026, as consequências podem afetar os consumidores ainda este ano. “Os desdobramentos podem não se limitar ao setor elétrico”, adverte a especialista da Thymos. “O encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e afetar a competitividade da economia brasileira como um todo.”
Leilão oneroso
O levantamento da TR Soluções trouxe mais más notícias ao setor elétrico. De acordo com a consultoria, a contratação de potência por meio dos leilões de reserva de capacidade de 18 e 20 de março vai gerar um custo anual de R$ 48 bilhões em encargos a partir do início da próxima década.
Apesar de o maior impacto estar previsto para depois de 2030, parte do peso já começará a ser sentido em 2026. Isso porque a consultoria indica que o aumento do encargo de potência deve representar um incremento médio de 0,4% nas tarifas dos consumidores cativos já este ano.
Na prática, o estudo da TR Soluções reforçou a decepção com a modelagem do LRCAP, que gerou críticas quanto à elevada potência contratada e baixa concorrência do leilão – no qual foram contratadas usinas termelétricas a gás e carvão mineral, além de hidrelétricas e termelétricas movidas a óleo combustível e biodiesel.
No total, foram contratados 18.977 megawatts (MW) de potência, envolvendo investimentos de R$ 64,5 bilhões e deságio médio de apenas 5,52%. Na época do leilão, cálculo da Abrace Energia – associação de grandes consumidores industriais de energia – estimou um custo anual de R$ 40 bilhões , impactando a tarifa média de energia elétrica dos brasileiros em aproximadamente 10%, contra 7,5% estimados agora pela TR Soluções.
O estudo da TR Soluções, porém, prevê maior aumento para os consumidores industriais que atuam no mercado livre de energia, que passarão a participar do rateio dos encargos de contratação de potência. O encargo de reserva deve passar dos atuais R$ 7 por MWh megawatts-hota (MWh) para R$ 78 MWh em 2032.
Antes, as despesas com potência no sistema elétrico brasileiro eram pagas pelos consumidores do mercado cativo, mas agora os clientes do ambiente livre de contratação também passarão a ratear esses valores, o que explica o aumento previsto de 13,5%.




