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Os brasileiros estão adotando cada vez mais a inteligência artificial (IA) para decisões de investimento, com 60% afirmando usar essas ferramentas frequentemente, segundo o estudo “State of AI for Wealth in 2026” da BridgeWise.
A confiança na precisão das informações geradas pela IA é alta, com 91% dos entrevistados confiando nos resultados. O uso de IA no Brasil supera a média global, onde 45% utilizam essas ferramentas.
Apesar da precisão, Adeodato Volpi Netto alerta para os riscos, pois a IA pode gerar informações contaminadas, levando a decisões equivocadas.
A crescente utilização da IA exigirá mais dos gestores e assessores de investimentos, que precisarão se adaptar a um ambiente mais competitivo e questionador. A interação humana continua sendo valorizada, indicando que a tecnologia não substituirá os profissionais tão cedo.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
No momento em que a inteligência artificial (IA) começa a ganhar espaço no mundo das finanças, os brasileiros mostram mais uma vez sua faceta de early adopter das novas tecnologias, sendo uma das populações que mais confiam e utilizam a IA na hora de analisar e decidir investimentos, em comparação com outras regiões do mundo.
E a tendência é de um uso cada vez mais intenso dessas ferramentas, o que vai exigir dos assessores de investimentos e gestores cada vez mais preparação para estar a par do que está acontecendo e conseguir orientar os clientes.
O grau de utilização de IA pelos brasileiros foi constatado pelo estudo “State of AI for Wealth in 2026”, produzido pela BridgeWise, obtido com exclusividade pelo NeoFeed.
Investida da L4 Venture Builder, corporate venture capital (CVC) da B3, a plataforma de dados para investimentos apurou que 60% dos brasileiros afirmam usar ferramentas de IA para consultas de investimento sempre ou com frequência.
A pesquisa – realizada com 2,1 mil entrevistados em 19 países, adultos empregados com idades entre 18 e 75 anos e contas bancárias ativas – revelou também um nível de confiança alto no País quando questionados sobre o grau de confiança nos resultados.
No País, 91% afirmam confiar na precisão dessas informações, sendo que 53% disseram ter muita confiança na precisão e 47% dizem usar a IA para descobrir novas oportunidades de investimento.
Os resultados mostram o País acima da média em termos de uso e confiança no uso de IA para investimentos. Segundo a BridgeWise, a média das pessoas no mundo que afirmam usar ferramentas de IA para consultas de investimento sempre ou com frequência é de 45%.
No caso da pergunta sobre confiança, 75% dos entrevistados disseram ter um bom grau de segurança quanto à precisão. Enquanto a falta de confiança na tecnologia fica em 9% no Brasil, no mundo ela gira em 25%.
Para Adeodato Volpi Netto, presidente executivo do conselho de administração da BridgeWise nos Estados Unidos, os dados demonstram como a IA caiu nas graças dos brasileiros e que a tendência é de permear cada vez mais o cotidiano das pessoas, inclusive na hora de decidir o que fazer com o dinheiro.
Mas destaca que é preciso cautela. Apesar de os modelos serem bastante precisos, quando se trata de temas que exigem precisão e cautela, como é o caso de investimentos, eles podem gerar graves prejuízos.
“Esses modelos jogam uma rede no oceano, que é a internet. A fonte de dados é tudo que está publicado”, afirma Volpi Netto. “E quando puxa a rede, vem peixe, pneu, lixo, muita coisa misturada, que depois é transformada em informação pelas plataformas. O nível de alucinação, conforme o tamanho da segmentação, chega a um para quatro.”
Segundo ele, esse nível de alucinação faz com que as plataformas ainda tenham que amadurecer para serem ferramentas confiáveis. “Os modelos convencionais que nós, mortais, utilizamos no dia a dia ainda estão distantes de conseguir fazer o filtro e a segmentação para evitar contaminação que pode, no fim das contas, levar o investidor a tomar uma decisão equivocada”, diz.
Esse cenário vai elevar as exigências dos gestores e assessores de investimentos, ao nivelar o acesso a informações. Depois da expansão do número de profissionais, a IA vai gerar um ciclo de cunho qualitativo, em que a qualidade do serviço oferecido será o diferencial.
“Aqueles que não estiverem prontos para encarar um nível de exigência maior, um nível de questionamento, de escrutínio maior, numa velocidade muito maior, podem ficar para trás”, afirma v. “É inexorável que a tecnologia transforme o mercado.”
Mas a IA não representa o fim dos profissionais de investimentos, segundo o executivo. Ainda que o Brasil tenha se mostrado entusiasta no uso da tecnologia, e ela prometa qualificar o nível dos serviços, ele acredita que o contato humano ainda é bastante valorizado pelas pessoas.
“Nós vamos viver um processo de fusão profunda entre o ser humano e a máquina do ponto de vista cognitivo, inteligência e capacidade”, diz ele. “Mas a demanda relacional, reputacional e de confiança em questões sensíveis, como saúde e investimentos, é alta e faz diferença para construir a reputação necessária para investimentos.”




