Mais de 500 funcionários do Google assinaram nesta segunda-feira, 27, uma carta aberta ao CEO, Sundar Pichai, pedindo que ele se recuse a permitir que o governo dos Estados Unidos use a tecnologia de Inteligência Artificial (IA) da empresa em operações militares sigilosas.
“Queremos ver a IA beneficiar a humanidade, e não ser usada de maneiras desumanas ou extremamente prejudiciais”, diz a carta, enviada a Pichai. “Isso inclui armas autônomas letais e vigilância em massa, mas vai além.”
“A única forma de garantir que o Google não seja associado a esse tipo de dano é rejeitar qualquer trabalho classificado”, prossegue o texto. “Caso contrário, esses usos podem ocorrer sem o nosso conhecimento ou sem que tenhamos poder para impedi-los.”
Após um conflito entre o Pentágono e a Anthropic, grandes empresas de tecnologia estão sob pressão para definir uma posição sobre o uso militar e de seus produtos de IA.
O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu aprofundar a investigação sobre o uso de conteúdo jornalístico pelo Google sem remunerar veículos de mídia, com a inclusão da Inteligência Artificial (IA) generativa – focada em criar novos conteúdos em texto, áudio, vídeo e outros formatos. O inquérito administrativo inicial foi instaurado em 2019 e, de lá para cá, houve evoluções tecnológicas que os conselheiros entenderam que precisam ser consideradas.
A investigação original recaía sobre supostas práticas anticompetitivas no mercado de notícias, com representantes dos veículos de mídia brasileiros argumentando que o conteúdo jornalístico não vinha sendo remunerado adequadamente e que a plataforma restringia o fluxo de consumidores à produção de conteúdo de sites, TVs e jornais.
A principal conduta investigada era de uma “raspagem” (scraping) de conteúdo jornalístico advindo de outros sites, por parte do Google, que faria o conteúdo relevante aparecer em sua página de busca, criando um atrativo para que os consumidores não mais precisassem acessar o site jornalístico para ter acesso àquele conteúdo.
Não objeto inicial do inquérito, a inovação de IA no Google foi incorporada à análise no decorrer do processo. Resumos gerados por IA trazem uma exibição mais minuciosa de notícias diretamente na página inicial do buscador – o AI overview, desviando tráfego dos veículos de mídia.
O plenário determinou, por unanimidade, o retorno dos autos à Superintendência-Geral (SG) para instauração de processo administrativo para imposição de sanções administrativas por infração à ordem econômica, o que significa, na prática, ampliação dessa apuração.
A aprovação se deu nos termos do voto-vista do conselheiro Diogo Thomson, novo presidente interino do Cade, com os ajustes e determinações constantes no voto-vista da conselheira Camila Cabral. O relator do caso era o ex-conselheiro e ex-presidente interino Gustavo Augusto Freitas de Lima.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Darlan de Azevedo).
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