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O que ainda trava o acordo da Raízen com os credores

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Pouco mais de um mês depois de a Raízen propor a conversão de 45% das dívidas em ações, o susto inicial dos credores com o percentual ficou para trás. O cabo-de-guerra nas negociações, no entanto, continua.

Nas últimas semanas, detentores de bonds e bancos pressionaram a companhia por um aporte adicional de dinheiro dos sócios da Raízen — uma discussão que não evoluiu.

Está claro que os acionistas (Shell e Rubens Ometto) ficarão restritos aos R$ 4 bilhões que se comprometeram a aportar, apurou The AgriBiz. A Cosan continua irredutível em não colocar mais dinheiro na Raízen, com o BTG Pactual impedindo qualquer aporte.

Sem espaço para uma capitalização, o que poderia significar uma conversão menor das dívidas, a batalha passou a ser a governança. Neste momento, o maior entrave para um acordo é justamente esse.

Como vão ficar com pelo menos 70% das ações da Raízen após a conversão das dívidas, os credores exigem indicar a maioria do conselho de administração.

O problema é que essa parece ser uma questão de honra para Rubens Ometto. O empresário não só quer manter a maioria do conselho indicada por Shell e Cosan como deseja manter a posição de chairman.

Uma saída para o impasse pode estar no bolso. Quem acompanha as negociações considera que, embora seja uma saída dolorosa para o fundador da Cosan, Ometto poderia abrir mão do cargo na Raízen. Em contrapartida, desistiria do aporte de R$ 500 milhões.

Se a questão da governança for resolvida, os outros temas pendentes seriam endereçados com menos ruído, apesar de não serem questões exatamente simples.

Entre esses pontos, estão dúvidas como o prazo de alongamento das dívidas. Outra pendência é a precificação das ações da Raízen. No cenário mais extremo, com as ações avaliadas a apenas R$ 0,10 na conversão das dívidas, os credores ficariam com 90% da companhia. Com os papéis a R$ 0,40, teriam 70%.

O objetivo é chegar a um acordo ao longo do mês de maio, dando tempo para as formalizações necessárias para submeter o plano de recuperação ao crivo judicial. A Raízen tem até 12 de junho para protocolar o plano.

Depois de tudo aprovado, a Raízen quer acessar uma linha de crédito de R$ 2,5 bilhões a R$ 5 bilhões, obtendo dinheiro novo dos credores para conduzir as operações da companhia como um negócio mais próximo da normalidade.



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