Em uma aparente reviravolta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira que o Brasil vai implementar o B16 ainda neste ano, aumentando a mistura de biodiesel no diesel de 15% para 16%.
As declarações ocorreram durante um discurso no Palácio no Planalto, onde o presidente anunciava mais crédito para financiar a renovação da frota de caminhões e ônibus.
A expectativa é que o aumento da mistura do biodiesel seja votada na semana que vem. A próxima reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), a quem cabe deliberar sobre a composição dos combustíveis, está prevista para 7 de maio.
O anúncio do presidente Lula surpreendeu a indústria de biodiesel, que praticamente tinha jogado a toalha.
Técnicos do Ministério de Minas e Energia vinham defendendo testes mais complexos para poder implementar o B16. Esses testes só começariam em maio, com conclusão prevista apenas para fevereiro.
“Sem a conclusão desses teste não tem aumento da mistura”, disse André Nassar, presidente da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), em entrevista a jornalistas na semana passada. Nesse cenário, o setor já trabalhava com a entrada do B16 somente em 2027.
Ainda não está claro qual será o argumento do governo para a mudança de rumo, mas as tentativas da indústria de biodiesel para convencer o Ministério de Minas e Energia dão uma pista.
A Abiove chegou a propor ao MME elevar a mistura do biodiesel apenas alterando especificações da ANP, já que o aumento seria marginal e a indústria estaria preparada para atender específicas mais rígidas. Na semana passada, Nassar chegou a dizer que esse argumento “não teve ressonância dentro do governo”.
Ao que tudo indica, o jogo virou. Em ano eleitoral, ninguém quer ser culpado pelo diesel mais caro — e um pouco mais de biodiesel pode ajudar.
No Planalto, Lula também citou a ambição de fazer do País um grande exportador de biodiesel. “O Brasil pode virar a Arabia Saudita do biocombustível”, afirmou o presidente.
“De 1% em 1%, vamos convencer o mundo de que, se alguém quiser inventar combustível renovável, não precisa gastar com pesquisa. É do Brasil. Fazemos transferência de tecnologia”, brincou.




