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Geada deve atingir lavouras do Paraná e Argentina

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A primeira grande queda de temperatura acontecerá no início da próxima semana em boa parte da América do Sul, aumentando a chance de geadas em áreas produtoras vulneráveis da Argentina e do Brasil.

Por aqui, a preocupação está concentrada na segunda safra de milho do Paraná, com quase 75% das áreas em floração ou frutificação. As geadas ocorrem na segunda e terça-feira e alcançam apenas áreas mais elevadas do estado, entre os Campos Gerais e o Planalto. Em Guarapuava e Irati, simulações indicam temperaturas mínimas entre -1°C e 2°C, enquanto em Ponta Grossa, estima-se algo entre 1°C e 3°C.

As áreas majoritárias, como Campo Mourão, Cascavel e Toledo, até devem ter geadas, com mínimas entre 3°C e 6°C. Mas, neste caso, o fenômeno acontecerá de forma mais isolada. Como a geada mais intensa ocorrerá em uma área minoritária, o risco de perdas é baixo.

Antes do frio, virá a chuva, acompanhada de fortes rajadas de vento. Ainda nesta semana, na sexta-feira, a chuva alcançará os três estados da região Sul e o Mato Grosso do Sul. No sábado, no ápice das tempestades, são estimados mais de 60 milímetros no Paraná, além de chuvas fortes em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, e sul e oeste de São Paulo.

Em Mato Grosso, na região do Parecis, embora a precipitação venha com menor acumulado, a chuva será fundamental para o aumento da umidade do solo e desenvolvimento da segunda safra.

A partir do domingo, a chuva enfraquece sobre a maior parte das áreas produtoras. Apenas em áreas de milho, feijão e hortifrúti do sul de São Paulo, o acumulado de chuva ainda será elevado.

Independentemente do risco de geadas, o frio irá dominar o Brasil. Na noite do domingo, por exemplo, a temperatura fica bem mais baixa que o normal para época do ano desde o sul da Amazônia até os Pampas Gaúchos, passando pelos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Triângulo Mineiro. O calor reaparecerá somente a partir da tarde da quarta-feira da semana que vem, 13 de maio.

Argentina

No nosso vizinho, a geada será mais abrangente no domingo e na segunda-feira, com mínimas de até 0°C em municípios produtores das províncias de La Pampa e Córdoba, 1°C em Buenos Aires e 4°C em Misiones, Corrientes e Santa Fé.

De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 70% do milho tardio estão na fase de enchimento de grãos, cuja geada pode provocar perda entre 25% e 40% de rendimento. Já a segunda safra de soja, 63% das áreas estão em enchimento de grãos e a geada provoca paralisia do enchimento e, por consequência, menor peso e qualidade dos grãos.

El Niño

A simulação climática europeia foi atualizada nesta semana, indicando uma atmosfera cada vez mais influenciada pelo fenômeno El Niño à medida que o fim do ano se aproxima.

O horizonte de previsão vai até o trimestre setembro/outubro/novembro, e a anomalia de precipitação torna-se cada vez mais elevada na região Sul até justamente chegar neste trimestre.

De forma mais específica, o maior desvio positivo de precipitação é previsto para o sul do Paraná, oeste de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul. Além disso, estados vizinhos, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, também têm previsão de chuva acima da média, embora com anomalias mais modestas.

Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste e os estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso podem ter chuva inferior ao normal e muito calor.

A maior anomalia negativa de precipitação é prevista para os estados do Pará e do Amazonas, que devem ter um aumento na incidência de queimadas mais para o fim do ano. Já os maiores desvios de temperatura aparecem no Pantanal, Caatinga e na Amazônia, entre justamente o Pará e o Amazonas.

Por fim, salienta-se que há uma preocupação com a intensidade deste fenômeno El Niño e existem especulações de que este poderia ser mais intenso que os registrados em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016.

De fato, a tendência é de que o El Niño de 2026/2027 seja forte, porém ainda não é possível afirmar qual será sua posição no ranking.

O episódio de inundação no Rio Grande do Sul, em 2024, ainda está vivo na memória de todos e naturalmente, diante de tantos alertas, surge a dúvida se poderemos ter algo semelhante.

Por enquanto é possível afirmar que há possibilidade de voltarmos a ter episódios de chuva muito acima da média no Sul sob El Niño, mas repetir 2024 na mesma magnitude não deve ser tratado como cenário-base.

Esse cenário extremo ainda vai depender muito de condições de mais alta frequência, principalmente relacionadas à temperatura do oceano Atlântico, cuja previsibilidade é de poucos dias a uma ou duas semanas.



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