Crescem as preocupações de que avicultores poloneses estejam enviando carne de frango ao Reino Unido sem possuir as licenças exigidas. O Conselho Britânico de Avicultura afirmou buscar garantias de que produtos provenientes de granjas da Polônia que operam de forma irregular não estejam sendo exportados para o mercado britânico.
O alerta ocorre após uma investigação conduzida pelo Bureau of Investigative Journalism revelar que quase metade das 2.000 maiores granjas avícolas da Polônia operava sem as licenças ambientais e de controle de poluição necessárias. Diante desse cenário, autoridades intensificaram a pressão por regularização do setor.
A Polônia figura entre os principais exportadores de carne de aves para o Reino Unido e, no fim de 2023, autoridades locais britânicas já haviam sido orientadas a reforçar as inspeções sobre produtos importados do país, em razão do aumento de casos de Salmonella que afetaram centenas de pessoas.
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Em resposta às descobertas, a Inspeção-Geral de Proteção Ambiental da Polônia solicitou que inspetores regionais revisem registros para identificar quantas granjas industriais necessitam de licenças específicas. As verificações ainda estão em andamento, mas os dados preliminares são considerados alarmantes. Na região de Mazowieckie, foco da investigação, cerca de 80% das granjas que operam sem licença possuem porte suficiente para exigir regularização.
Para a diretora-geral da Aliança Europeia para a Saúde Pública, Dra. Milka Sokolović, a situação representa um problema de saúde pública evidente. Segundo ela, quando propriedades operam fora dos sistemas de licenciamento e fiscalização, questões como poluição, uso excessivo de antimicrobianos e resistência bacteriana deixam de ser monitoradas, podendo passar despercebidas por anos até que resultem em impactos diretos à população, como contaminação da água ou internações hospitalares.
A repercussão da investigação levou o Conselho Britânico de Avicultura a reforçar o pedido por garantias de que carne oriunda de granjas irregulares não esteja sendo comercializada no Reino Unido. O CEO da entidade, Richard Griffiths, afirmou que há preocupação em preservar a confiança do público na segurança dos alimentos, especialmente em um momento em que a segurança alimentar já enfrenta desafios significativos, além de evitar que a produção britânica seja prejudicada por importações que não seguiriam os mesmos padrões exigidos no país.
Diante das conclusões, a Comissão Europeia não descartou a possibilidade de adotar medidas contra a Polônia. Um porta-voz do órgão destacou que os Estados-membros devem assegurar o cumprimento adequado e oportuno das normas da União Europeia, ressaltando que processos por infração podem ser abertos caso isso não ocorra.
Fonte: Poultry Word




