Ser campeão do mundo vai muito além da glória esportiva. Levantar a taça mais importante do futebol significa entrar definitivamente para a memória coletiva do torcedor e conquistar um espaço raro no imaginário popular. Em um país como o Brasil, onde a Copa do Mundo atravessa gerações e emoções, o título também representa uma oportunidade financeira que pode durar décadas. E basta a competição começar para que antigos campeões voltem aos holofotes em campanhas publicitárias, eventos e ações comerciais.
Na prática, a Copa do Mundo cria uma espécie de mercado paralelo da nostalgia. Marcas procuram nomes que transmitam confiança, identificação e emoção imediata. Poucos ativos são tão fortes quanto um campeão mundial brasileiro. O torcedor pode até não lembrar todos os detalhes de uma final antiga, mas dificilmente esquece personagens que marcaram épocas. E é justamente esse reconhecimento instantâneo que transforma ex-jogadores em rostos valiosos para publicidade.
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Nenhum caso simboliza melhor esse fenômeno do que Ronaldo Nazário. Campeão do mundo em 1994 e protagonista absoluto do pentacampeonato em 2002, ele segue como um dos atletas mais explorados comercialmente do país. Em plena Copa do Mundo de 2026, Ronaldo aparece em campanhas de marcas como Brahma, Itaú, Doritos e Rexona. O tamanho da força comercial do ex-atacante é tão grande que até seu filho ganhou espaço em campanha do Bradesco, aproveitando o peso do sobrenome ligado à história da seleção brasileira.
Outro nome constantemente lembrado pelas empresas é Cafu. Capitão do último título mundial do Brasil, em 2002, ele mantém presença frequente em campanhas publicitárias e eventos corporativos. O ex-lateral está em ações de marcas como iFood, Gillette, McDonald’s Brasil, Johnnie Walker e Guaraná Antarctica. A imagem do lateral segue associada à liderança, carisma e identificação popular, atributos extremamente valorizados pelo mercado publicitário.
A força da imagem construída na Copa também explica a permanência de Ronaldinho Gaúcho como figura comercial relevante mesmo muitos anos após encerrar a carreira. O ex-camisa 10 continua como embaixador da Nike, participa de campanhas da BIC e ainda ampliou sua exposição com presença constante na televisão, incluindo um quadro na TV Globo. A irreverência que marcou sua trajetória dentro de campo virou também um produto extremamente rentável fora dele.
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O mesmo acontece com Denílson, campeão mundial em 2002. Além da carreira consolidada como comentarista da Globo, ele participa de campanhas para Casas Bahia e Centauro, mostrando como a identificação criada durante a Copa ainda gera retorno comercial mais de duas décadas depois.
Os campeões de 1994 também seguem valorizados. Raí participa de campanhas da Hisense, enquanto Cláudio Taffarel está envolvido em ações de Guaraná Antarctica e Banco Carrefour. Já Jorginho, Bebeto e Branco participam de eventos ligados ao Grupo Águia.
A Copa do Mundo, portanto, não movimenta apenas patrocinadores oficiais, direitos de transmissão e marcas esportivas. Ela também reaquece a indústria da memória afetiva do futebol. Ex-jogadores voltam ao centro das atenções, revivem personagens que marcaram gerações e transformam o prestígio conquistado dentro de campo em contratos, campanhas e presença comercial. Em muitos casos, o título mundial rende financeiramente muito além dos 90 minutos de uma final.




