As rupturas geradas pela guerra no Oriente Médio já causaram um aumento nos preços de defensivos, principalmente de herbicidas, segundo Julio Borges, vice-presidente do Sindiveg.
“Tem uns 30 ativos que subiram entre 20% e 40%. Ainda não temos problemas de disponibilidade, mas o impacto de custo é imediato”, afirmou Borges, em coletiva de imprensa.
No glifosato, cujos preços estavam depreciados desde o fim dos conflitos na Ucrânia — principalmente devido a um excesso de oferta na China —, a diferença já é bem significativa.
Antes dos conflitos no Oriente Médio, o preço do glifosato estava em cerca de US$ 3 por litro, segundo Borges. Agora, está na faixa de US$ 4,50 a US$ 5. Além do aumento no preço do produto, o frete triplicou na comparação com o mesmo período do ano passado.
O movimento reflete uma oferta mais restrita na China e uma corrida de cooperativas e grandes produtores para assegurar estoques, já antevendo um aumento de preços.
“Agora o produtor não quer comprar, não quer o preço novo. Como ele só vai precisar aplicar em agosto, setembro, vai ficar nesse dilema até a última hora”, disse Borges.
Os reajustes deste ano devem acontecer depois de um ano de alívio nos preços dos defensivos. Em 2025, o pacote de defensivos ficou 7,5% mais barato em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Kynetec, refletindo tanto a queda dos preços quanto o câmbio. Os herbicidas, especificamente, tiveram um aumento de apenas 1%.
Área tratada
Em 2025, a área tratada por defensivos (PAT) aumentou 7,5%, um indicador acima do aumento de área no Brasil, segundo o Sindiveg. Neste ano, a entidade não vê uma retração no uso de defensivos por parte do produtor, mas um comportamento de compras mais tardias para aplicação.
Para assegurar os insumos, as grandes empresas seguem negociando com os fabricantes chineses, tendo em vista que o transporte da molécula da China para cá leva pelo menos 70 dias. “Nós estamos fixando esses preços com eles. Se eu vou vender depois ou não, aí entra na dinâmica tradicional da indústria”, afirmou Borges.
O aumento no preço dos defensivos é mais uma preocupação em um ano de margens apertadas e de restrição de crédito para o produtor rural. Borges vê, nesse cenário, uma disputa entre os fornecedores para conseguir garantias do produtor para lastrear o crédito.
“No final, não temos alternativa. Estamos expostos a esse mercado, buscando recursos por meio dos bancos, que não vão querer dar crédito direto ao produtor e sim via indústrias, que estão mais próximas do agricultor”, afirmou o executivo.
Renegociação de dívidas
Diante das dificuldades no setor, está em discussão, em Brasília, um projeto de lei de renegociação de dívidas para o agronegócio, o PL 5122, a ser votado na próxima terça-feira (19).
Segundo informações publicadas pelo portal Jota, o texto original previa uma linha de crédito de R$ 30 bilhões oriundos do Fundo Social do Pré-Sal.
Agora, o relatório ampliou esse limite, ao autorizar também valores remanescentes do último Plano Safra, além do uso de Fundos Constitucionais de Financiamento do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. Com essas mudanças, a estimativa da bancada do agro é que exista uma injeção de R$ 20 bilhões no programa de refinanciamento de dívidas, ainda segundo o Jota.
Também foi acatada, no texto, uma emenda da senadora Tereza Cristina que autoriza o governo a aplicar R$ 20 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos, defendida como uma solução definitiva para o problema. O fundo, na prática, funcionaria como uma garantia aos empréstimos tomados por produtores.




