O agronegócio brasileiro alcançou US$ 16,6 bilhões em exportações em abril de 2026, o maior valor já registrado para o mês, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no último dia 16. O desempenho mantém o setor como principal fonte de entrada de divisas do país, com forte contribuição das cadeias de proteína animal — especialmente aves, suínos e pescado — e das principais commodities agrícolas.
O avanço das exportações ocorre em um cenário de ajustes e pressões simultâneas sobre a produção. No mesmo período, o governo federal publicou uma portaria que regulamenta o uso de antimicrobianos na produção animal, com impacto direto sobre os sistemas de aves, suínos e aquicultura. A medida altera protocolos sanitários, exige adaptação por parte dos produtores e pode influenciar custos e padrões de exportação, sobretudo para mercados mais rigorosos, como União Europeia e países asiáticos.
Ao mesmo tempo, o ambiente econômico também impõe desafios. As projeções de inflação para 2026 voltaram a subir, pressionando os custos de insumos essenciais, como milho, farelo de soja e energia. Esse movimento afeta diretamente a rentabilidade das cadeias produtivas, especialmente aquelas mais dependentes da alimentação animal.
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Apesar desse cenário, o crédito rural segue sustentando a atividade. O volume destinado ao financiamento empresarial no Plano Safra 2025/2026 chegou a R$ 391,2 bilhões, garantindo capacidade de investimento para cooperativas e grandes produtores. Em paralelo, dados da Embrapa indicaram redução nos custos de produção de suínos e frangos de corte em abril, o que pode ter contribuído para melhorar as margens e impulsionar os embarques no período.
No horizonte, o clima adiciona um novo fator de atenção. A previsão de permanência do El Niño por vários meses, com intensidade moderada a forte, traz incertezas para o próximo ciclo agrícola, especialmente para a soja 2026/27. O impacto sobre a produção de grãos pode afetar a oferta de ração e, consequentemente, toda a cadeia de proteínas.
Mesmo diante dessas variáveis, o resultado de abril mostra um setor que segue competitivo no mercado internacional, apoiado em escala produtiva, diversificação de produtos e capacidade de adaptação a cenários adversos.
Fonte: MAPA




