Com mais da metade da cota de embarques de carne bovina para a China preenchida até abril, o Brasil deve atingir o limite de exportação sem sobretaxa até julho, reforçou nesta quarta-feira Alexandre Mendonça de Barros, sócio em Agronegócios da EY Brasil.
Só de janeiro a abril, o País já mandou 612,9 mil toneladas de carne bovina para o país asiático, preenchendo 55% da cota prevista para o ano todo, segundo dados compartilhados nesta quarta-feira pela Abiec, com base em dados oficiais chineses.
As exportações de carne bovina do Brasil para a China somaram 211 mil toneladas em janeiro, passaram para 160 mil toneladas em fevereiro, caíram para 139 mil toneladas em março e 100 mil toneladas em abril.
“Existe sempre a discussão de os chineses mudarem a regra, mas até agora não sinalizaram isso. Em se mantendo a cota de 1,1 milhão de toneladas, vamos encerrá-la provavelmente ao redor de julho”, disse Mendonça de Barros ao The AgriBiz.
As projeções de que a cota deveria ser preenchida no início do segundo semestre já haviam sido compartilhadas pelo próprio economista em março. Na mesma época, Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, lembrou que o esgotamento da cota deve coincidir com a maior disponibilidade de gado dos confinamentos, provocando uma queda nos preços da arroba. O CEO da JBS reafirmou a expectativa na semana passada.
Mendonça de Barros vê uma fase de menor demanda à frente, com os principais efeitos sendo sentidos no terceiro trimestre. “Teremos aí uma fase de menor demanda, o boi futuro cedeu. Por outro lado, acreditamos que a partir de outubro a demanda chinesa volta com força total”, ressaltou o economista.
Para a carne desembarcar nos portos chineses em janeiro de 2027, compondo a cota já do ano que vem, os embarques devem começar em outubro, explicou.
Outros países
Até abril, a China já importou 40% da cota prevista para o ano todo de todos os países com quem mantém relações comerciais para a compra de carne bovina.
Além do Brasil, o país que detém a maior cota individual, destaca-se a Argentina, que detém a segunda maior cota de embarques de carne à China, de 511 mil toneladas. De janeiro a abril, os argentinos enviaram à China 34,5% do volume permitido para o ano.
No terceiro maior exportador, a Austrália, a situação é bem diferente, com percentuais muito maiores. O país já preencheu quase 70% da cota de 205 mil toneladas no primeiro quadrimestre do ano.




