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Conquistar o brasileiro: o desafio do etanol de milho no curto prazo

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A pujante indústria de etanol de milho conta com estimativas animadoras para a demanda no médio e longo prazo, impulsionada por mandatos em diversos países e em diferentes meios de transporte — terrestre, aéreo e marítimo. Mas, no curto prazo, há um desafio considerável de excesso de oferta, o que tende a pressionar os preços do biocombustível.

Nos próximos dois a três anos, a oferta de etanol de milho pode quase dobrar no Brasil se todos os projetos entrarem em operação. A produção passaria de 12 bilhões de litros, em 2026, para 23 bilhões de litros, segundo estimativa do BTG Pactual.

Como endereçar esse excesso de oferta, enquanto a demanda, principalmente externa, não atinge o seu potencial?

A pergunta foi feita por Thiago Duarte, sócio do BTG Pactual, aos CEOs das duas gigantes de etanol de milho do País, Inpasa e FS, durante evento promovido pelo banco em Cuiabá (MT) nesta quinta-feira.

O aumento da mistura de anidro à gasolina, previsto na Lei do Combustível do Futuro, para até 35%, foi contemplado na resposta. Mas, sozinho, não resolve o problema. É preciso aumentar a participação do hidratado (o etanol fornecido nas bombas de combustíveis dos postos) no consumo de combustíveis do ciclo otto, defenderam os CEOs.

“Tem uma demanda não utilizada do etanol brasileiro, por isso que o nosso hidratado tem menos de 30% de penetração na matriz”, disse o CEO da FS, Rafael Abud. “Mercados muito populosos têm baixíssima ou nenhuma penetração do etanol hidratado.”

Um dos fatores relacionados a isso tem a ver com a desinformação. Abud citou o resultado de um focus group da Volkswagen que mostrou que 30% dos compradores de veículos da montadora não sabiam que poderiam abastecer o veículo com etanol — a cada dez veículos vendidos pela Volks, nove são flex.

O executivo mencionou o resultado de outra pesquisa, dessa vez realizada pela Localiza, maior locadora de veículos do País: “É um contrassenso, mas 50% dos veículos flex locados são devolvidos com o tanque cheio de gasolina”.

O CEO da Inpasa, Eder Lopes, concordou. “Tem um desconhecimento muito grande sobre o produto aqui dentro do Brasil mesmo. É um trabalho que tem que ser feito por todos para desmistificar isso.”

Enquanto essa questão não se resolve, outros pontos que podem estimular o consumo dão os primeiros passos. Com a reforma tributária, a cobrança de ICMS será reformulada, afetando estados do Norte, Nordeste e Sul do Brasil — um fator que pode elevar a demanda nessas regiões mais distantes dos polos produtores.



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