O Banco Central (BC) pretende integrar novos serviços ao Open Finance. De acordo com Matheus Rauber, chefe de subunidade do Banco Central, a portabilidade de salário e de investimentos devem ser os próximos passos. “Queremos adicionar cada vez mais itens ao sistema”, disse em painel do Apix, evento realizado pela Sensedia, nesta quinta-feira, 21, em São Paulo. Para ele, a ampliação do Open Finance depende do engajamento das instituições e do monitoramento constante de dados.
Na visão de Elcio Calefi, CIO da Associação Open Finance Brasil, acompanhar o fluxo de informações deixou de ser apenas uma questão de compliance, mas também de estratégia, dividida em: qualidade de dados, governança operacional e controle de processos. “Acredito que seguindo essas três dimensões, os participantes do Open Finance vão conseguir monitorar de forma mais fluida, com menor custo, recorrência operacional e redução de defeitos”, destacou.
O painel também abordou a jornada otimizada, uma integração entre consentimento de iniciação de pagamentos com compartilhamento de dados, que dispensa redirecionamentos entre aplicativos. Hoje, essa otimização está em fase de testes, a qual deve chegar ao fim em junho deste ano. Por ora, o piloto se restringe a dois serviços: limite e saldo disponível. “A jornada otimizada é a primeira que usa dois produtos em uma única ação, integrando duas empresas diferentes”, afirmou Calefi.
Exemplos de uso
Nubank e Sicredi são integrados ao Open Finance e oferecem diferentes funções através dele. No caso do primeiro, o banco alerta o cliente quando entra em cheque especial e aponta onde ele possui dinheiro para quitar a dívida. De acordo com Leticia Novaes, public policy senior specialist do Nubank, o aviso já poupou R$ 22 milhões em juros. Já a função Depositar, que habilita o app a trazer dinheiro de outras instituições, movimentou R$ 6 bilhões nos últimos 12 meses.
Já na cooperativa, o processo de abertura de conta já se baseia em dados do sistema, com o intuito de ofertar produtos personalizados. O Sicredi também viabiliza o Pix automático pela estrutura do Open Finance para atender pequenas empresas.
Pessoa jurídica
O público PJ, inclusive, é um dos principais desafios do ecossistema, especialmente quando o assunto é simplificar e dar transparência à jornada de autorização para companhias com múltiplos sócios.
Na concepção do CIO da da Associação Open Finance Brasil, ainda há uma visão de que o Open Finance atende apenas pessoa física. “Acredito que uma forma de atrair esse público é simplificar a jornada, algo que já estamos discutindo e que o próprio BC trata como prioridade.
Foto: no sofá estão Elcio Calefi, Bruna Santos (Sicredi), Leticia Novaes e Natalia Cruz (Sensedia). Na tela, Matheus Rauber. Karina Merli/Mobile Time.




