20.1 C
Marília
HomeEconomiaNo futebol brasileiro, saem de campo olheiros e peneiras e entra a...

No futebol brasileiro, saem de campo olheiros e peneiras e entra a seleção por IA

spot_img


Ler o resumo da matéria

A Footbao, startup europeia fundada pelo suíço Francesco Amato e comandada pelo britânico Nick Rappolt, quer usar inteligência artificial para digitalizar a descoberta de talentos no futebol. Pelo app, jovens jogadores enviam vídeos de jogos e lances individuais, que são avaliados por modelos de IA, dados e uma equipe de analistas e olheiros.

A plataforma reúne cerca de 120 mil cadastrados, dos quais 20 mil têm vídeos, 14 mil foram avaliados e mais de 300 já foram recomendados a clubes. A empresa mantém relacionamento com mais de 35 equipes, incluindo os quatro grandes de São Paulo, Goiás, Avaí e Lecce. Entre os casos citados estão Leonardo Veiga, contratado pelo Spezia, e Gloria, do Corinthians e da seleção brasileira sub-17.

Lançada em 2023 como uma espécie de “TikTok do futebol”, a Footbao pivotou em 2025 para um marketplace de talentos. Hoje, clubes acessam a base sem cobrança direta e atletas podem pagar por recursos extras. No futuro, a startup mira contratos, agentes e até tokenização de atletas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Encontrar futuros craques do futebol antes da carreira profissional ou da entrada nas categorias de base dos grandes clubes sempre dependeu do faro de olheiros, indicações e peneiras espalhadas pelo país. A seleção de atletas, porém, vem ganhando uma nova aliada: a inteligência artificial.

Quem está por trás do projeto é a startup Footbao. A proposta é criar uma espécie de funil digital de talentos. Pelo aplicativo, jogadores enviam vídeos de jogos e lances individuais. A partir desse material, a plataforma combina modelos de IA, análise de dados e avaliação de especialistas para identificar atletas com potencial e aproximá-los de clubes parceiros.

Com raízes europeias, a Footbao escolheu o Brasil para dar seu pontapé inicial. A decisão passa pelo tamanho do mercado, pela força do país como celeiro de jogadores e pela dificuldade dos clubes de cobrirem, com olheiros, um território tão amplo e pulverizado.

A empresa foi fundada pelo suíço Francesco Amato, tem como CEO o britânico Nick Rappolt e, entre seus principais investidores, está o suíço-italiano Boris Collardi, ex-CEO do Julius Baer. O ex-jogador Denílson também é apresentado pela empresa como um de seus financiadores, ao lado do técnico da seleção da Suíça, Murat Yakin, e do espanhol Alejandro Agag, fundador da Fórmula E.

A plataforma reúne cerca de 120 mil jogadores. Desse total, 20 mil perfis possuem vídeos, 14 mil foram avaliados e mais de 300 foram recomendados a clubes parceiros. A startup mantém relacionamento com mais de 35 equipes, entre elas Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Goiás, Avaí e Lecce, da Itália.

“Temos um aplicativo móvel que consegue minerar em escala, porque conseguimos cobrir todas as partes do Brasil. Um clube da Malásia, da China, do Reino Unido ou mesmo do Brasil não consegue fazer isso, porque não tem olheiros suficientes”, afirma Nick Rappolt, CEO da Footbao, em entrevista ao NeoFeed.

Embora a IA dê escala à operação, a Footbao ainda conta com uma equipe interna de analistas e caçadores de talentos responsáveis por revisar os vídeos, validar as avaliações e dar o toque final nos relatórios técnicos que serão enviados para os clubes.

Entre as joias descobertas pela plataforma, destacam-se o meio-campista Leonardo Veiga, de 18 anos, recrutado pelo Spezia, da Itália, depois de passar pelo Lecce, e a zagueira Gloria Gasparini, de 16 anos, que foi contratada pelo Corinthians e foi convocada para a Seleção Brasileira sub-17.

Embora as indicações já venham dando resultado, o modelo atual é bastante recente. A empresa surgiu em 2023, mas a frente voltada a parcerias com clubes profissionais e prospecção de talentos começou a ganhar forma apenas em 2025. Até então, a Footbao funcionava mais como uma rede social para jogadores publicarem vídeos de suas habilidades.

“A missão sempre foi encontrar talentos, mas o modelo comercial de um ‘TikTok do futebol’ tinha alguns problemas”, conta Rappolt. “Se você tenta monetizar puramente por publicidade, compete com outras plataformas de mídia social.”

Uma das descobertas da plataforma foi o meio-campista Leonardo Veiga, de 18 anos, recrutado pelo Spezia, da Itália, depois de passar pelo Lecce (Foto: Instagram @leo10v.v)

A plataforma reúne cerca de 120 mil jogadores, Deles, 14 mil foram avaliados e mais de 300 foram recomendados a clubes parceiros (Foto: Instagram @footbao.br)

Do lado dos clubes, o sistema ainda é de parceria. As equipes acessam a base de talentos e os relatórios sem cobrança direta e, em troca, ajudam a divulgar a Footbao em seus canais de mídia social. A lógica é usar a força das marcas dos clubes para atrair novos jogadores para o aplicativo e ampliar o funil de atletas avaliados.

O acesso à plataforma segue gratuito, mas há uma assinatura para jogadores que querem acessar recursos adicionais, como relatórios individuais, dados sobre habilidades técnicas e sugestões de evolução.

A monetização, no entanto, deve evoluir à medida que o marketplace ganhar escala. A empresa vê espaço para cobrar serviços para clubes e agentes e, no futuro, taxas associadas à movimentação de jogadores dentro do ecossistema.

Nos planos de curto prazo, conta Rappolt, está a expansão da Footbao para outros países da América Latina, como Argentina, Uruguai e Colômbia, onde a startup tem fechado parcerias com clubes locais. A lógica é replicar o modelo testado no Brasil em outros mercados exportadores de talentos, criando uma base regional de atletas avaliados pela plataforma.

A ambição, porém, vai além da prospecção. A Footbao quer se posicionar como uma camada de infraestrutura para o futebol, conectando jogadores, clubes, olheiros e agentes. No futuro, a empresa pretende adicionar ferramentas para gestão de contratos, direitos de imagem e acompanhamento da trajetória dos atletas.

Uma das frentes em estudo é permitir que torcedores, marcas ou investidores participem, de alguma forma, da evolução financeira de atletas revelados pela plataforma. Rappolt cita a possibilidade de tokenizar jogadores ou contratos, criando instrumentos ligados a receitas futuras.

“Existe uma conexão emocional muito grande, como torcedor, com um talento emergente”, diz Rappolt. “Você pode tokenizar um jogador que se transfere para um clube, ou tokenizar o contrato de um jogador, para que as pessoas possam participar da receita futura conforme ele avança no sistema.”

A ideia ainda está em fase de planejamento e teria de lidar com um terreno sensível, que envolve direitos econômicos de atletas, contratos de menores de idade, agentes, clubes e regulação do mercado de capitais. Mas a tese mostra que a Footbao quer ir além de ser uma vitrine digital de jogadores e se tornar uma infraestrutura para acompanhar e monetizar a carreira de talentos desde a base.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img