A Argentina voltou a ser considerada livre da influenza aviária altamente patogênica (IAAP), após o encerramento dos últimos focos em granjas comerciais e a comunicação oficial aos organismos internacionais de saúde animal. O reconhecimento foi anunciado em abril pelo Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa), depois de mais de 28 dias sem registro de novos casos.
A recuperação do status representa um marco para a avicultura do país, especialmente no comércio exterior. Com a nova condição sanitária, a Argentina pode retomar negociações com mercados que haviam suspendido ou restringido a importação de carne de aves, ovos e derivados durante o período de crise.
Segundo o Senasa, o relatório enviado à Organização Mundial de Saúde Animal detalha as ações adotadas desde a detecção dos primeiros casos, incluindo vigilância epidemiológica, medidas de contenção e protocolos sanitários aplicados após a confirmação dos surtos.
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Reabertura de mercados depende de confiança sanitária
Os focos da doença foram registrados nos municípios de Ranchos, Lobos e Bolívar, na província de Buenos Aires, e em Alejo Ledesma, em Córdoba. As autoridades adotaram medidas como o despovoamento das granjas afetadas, descarte de materiais contaminados e processos rigorosos de limpeza e desinfecção.
Sem novos registros dentro do período exigido, o país voltou a atender aos critérios estabelecidos pelo Código Sanitário para os Animais Terrestres, condição essencial para a retomada plena das exportações.
Para o setor, o reconhecimento vai além da questão técnica. A manutenção de mercados internacionais depende diretamente da credibilidade sanitária. Sem esse aval, compradores suspendem automaticamente as importações.
O diretor executivo do Centro de Empresas Procesadoras Avícolas (CEPA), Carlos Sinesi, destacou a importância da medida para a continuidade das exportações e a reabertura de mercados. Segundo ele, o restabelecimento do status permite avançar também em acordos de zoneamento com países que ainda não adotam esse modelo.
Sinesi afirmou que a retomada fortalece a geração de divisas e contribui para o emprego nas regiões produtoras, ao permitir que o setor volte a operar com maior previsibilidade no comércio internacional.
Apesar do avanço, representantes da cadeia produtiva ressaltam que o desafio continua. A nova fase exige vigilância constante e reforço das medidas de biossegurança para evitar novos surtos.
Desde 2023, o país enfrentou sucessivas restrições comerciais por conta da doença, incluindo suspensões impostas por mercados como China, União Europeia e Chile. O episódio mais severo ocorreu em 2023, quando as exportações para a China ficaram interrompidas por quase dois anos.
Mesmo durante os períodos de restrição, parte das exportações foi mantida graças a acordos de regionalização e zoneamento, que permitem o comércio a partir de áreas não afetadas.
A expectativa é que, com o restabelecimento do status sanitário, a Argentina consolide a recuperação do setor e avance na normalização das relações comerciais no mercado global de proteína avícola.
Fonte: Food agribusiness




