Um novo conjunto de diretrizes ambientais voltado aos produtores de ovos de galinhas criadas ao ar livre no Reino Unido está em elaboração com a proposta de organizar e simplificar o acesso às regras do setor. Desenvolvido pela indústria em parceria com órgãos reguladores, o documento pretende oferecer mais clareza sobre exigências legais e incentivar o uso mais eficiente dos recursos nas propriedades.
A iniciativa foi apresentada durante um fórum da Associação Britânica de Ovos Caipiras (BFREPA), realizado na Feira Britânica de Suínos e Aves, em Birmingham. A proposta é criar um ponto de referência único, reunindo normas hoje dispersas em diferentes fontes e que, segundo o setor, dificultam a consulta e a tomada de decisão pelos produtores.
De acordo com o diretor executivo da BFREPA, Gary Ford, a criação do material responde à crescente cobrança de diferentes setores da sociedade sobre o desempenho ambiental da atividade. Ele destacou que a intenção é oferecer um “balcão único”, reunindo tanto a legislação quanto exemplos práticos aplicáveis às granjas.
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Documento quer alinhar exigências legais e eficiência produtiva
A elaboração das diretrizes conta com um grupo de trabalho formado por representantes da indústria e de órgãos como a Agência Ambiental e a Natural Resources Wales. O processo ainda prevê a participação dos produtores, que poderão contribuir com sugestões antes da versão final.
A consultora da Agência Ambiental, Sharon Chisholm, afirmou que o material terá caráter prático, combinando obrigações regulatórias com orientações de manejo. Segundo ela, o objetivo é estimular uma visão mais eficiente da propriedade, na qual perdas ambientais também representam prejuízos econômicos.
O documento deverá abranger temas como проектos de instalações, drenagem, manejo de pastagens, gestão de dejetos, nutrientes e prevenção da poluição. Também estão previstas orientações para situações de emergência, surtos de doenças e planejamento de novos empreendimentos.
Entre os pontos centrais está a melhoria na retenção de nutrientes, especialmente por meio de um manejo mais eficiente dos dejetos. A redução das emissões de amônia aparece como prioridade, tanto pelo impacto ambiental quanto pelo potencial de reduzir custos, em um cenário de fertilizantes caros.
Medidas práticas incluem mudanças no transporte, armazenamento e aplicação do esterco, além de melhorias na infraestrutura, como áreas cobertas e sistemas de drenagem mais eficientes. O armazenamento coberto, em especial, é apontado como uma estratégia capaz de elevar significativamente o valor nutricional do material, reduzindo perdas e impactos ambientais.
As orientações também vão tratar das diferenças regulatórias entre Inglaterra e País de Gales, incluindo regras específicas para áreas vulneráveis a nitratos, além de diretrizes para armazenamento temporário de resíduos.
O documento foi concebido para ser flexível, reconhecendo as diferenças entre os sistemas produtivos. A proposta não é impor modelos únicos, mas indicar caminhos para melhorar a eficiência e reduzir riscos ambientais.
Representantes do setor também defendem a criação de linhas de apoio para investimentos em infraestrutura, especialmente para armazenamento de dejetos. Embora não haja financiamento disponível no momento, a demanda já foi levada ao governo britânico.
A expectativa é que as diretrizes sejam concluídas ainda neste verão europeu, com potencial de adoção mais ampla no país. A aposta do setor é que a iniciativa contribua para ampliar a conscientização ambiental e promover práticas mais consistentes na produção de ovos caipiras.
Fonte: Food Agribusiness




