Bloomberg Línea — A Live!, marca brasileira de moda fitness, avança na estratégia de construir um ecossistema de bem-estar para além do vestuário.
Em março, a companhia catarinense adquiriu 60% da Pink Cheeks, marca de cosméticos com foco esportivo. Agora, prepara sua entrada no mercado de suplementação com a Welz, cujos primeiros produtos devem chegar às prateleiras em agosto.
A meta, segundo fundador da Live!, é que a nova frente responda por 20% da receita do grupo até 2030.
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A nova marca nasce como uma operação separada, com identidade visual e comunicação próprias, e não como uma extensão da Live!.
Segundo a empresa, a estrutura foi desenhada para evitar que o consumidor associe diretamente roupas a suplementos e para dar autonomia à nova frente de negócios.
À frente da empreitada está Theo Sens, de 22 anos, filho de Gabriel e Joice Sens, fundadores da Live!. Criada em 2002 em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, a empresa começa agora a abrir espaço para a segunda geração da família.
“Ele teve a felicidade de encontrar um timing em que a companhia estava aberta para entrar em uma categoria nova”, afirmou Gabriel Sens, de 48 anos, fundador e CEO da Live!, à Bloomberg Línea.
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Theo Sens passou seis meses nos Estados Unidos estudando o mercado de suplementação antes de assumir a Welz.
“Ele é uma liderança jovem, que fez esse deep dive, esse mergulho profundo”, afirmou Gabriel Sens.
A leitura trazida pelo executivo é que o Brasil ainda oferece espaço para produtos com formatos, embalagens e ocasiões de consumo diferentes daqueles que predominam hoje nas prateleiras.
É justamente nessa lacuna que a Welz pretende atuar, ao trazer ao país formatos ainda pouco difundidos no mercado brasileiro.
No pré-lançamento, a marca aposta em dois produtos: o Daily Hydration, um eletrólito voltado ao consumo diário, e o BodyPeptide, uma bebida proteica gaseificada produzida com peptídeos.
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A percepção de Theo Sens é que uma das principais barreiras do setor não está necessariamente na formulação, mas na dificuldade de transformar o consumo em um hábito.
“Muitas vezes, a principal barreira não está no produto em si, mas na capacidade de transformar o consumo em algo recorrente e sustentável dentro da rotina das pessoas”, afirmou o fundador da Welz.
A marca investe em formatos prontos para consumo e em embalagens pensadas para ficar à vista do consumidor. O objetivo é elevar a recorrência, que Theo Sens descreve como baixa na suplementação tradicional.
A aposta nasce apoiada na escala já construída pela Live!. O grupo faturou R$ 1 bilhão em 2025 e soma 377 lojas, incluindo quatro operações internacionais, em Miami, Dubai, Bangkok e Assunção.
A base ativa supera 1 milhão de clientes. Já o Live! RUN, circuito de corrida promovido pela marca, reúne mais de 200 mil corredores por ano e será um dos canais utilizados para distribuir amostras desde o lançamento.
Meta é atingir 20% da receita do grupo
Com a chegada da Welz, a Live! passa a operar em quatro frentes de negócios: vestuário, calçados, sport care e suplementação.
A área de sport care nasceu a partir da compra da Pink Cheeks, marca de beleza funcional voltada ao esporte, adquirida em março.
Para 2030, os executivos projetam que a Welz responda por cerca de 20% do faturamento do grupo. Gabriel Sens afirma, porém, que a construção do novo negócio será gradual.
“Começa pequeno, pensa grande e cresce rápido”, disse, ao definir o ritmo esperado para a marca.
A produção será terceirizada. A Live! trabalha com a alemã Gelita, fornecedora do peptídeo de colágeno utilizado no BodyPeptide, e com a catarinense Duas Rodas no fornecimento de aromatizantes.
Theo Sens afirma que a escala da Live! funciona como uma moeda de troca com fornecedores globais de matérias-primas, que costumam priorizar marcas capazes de levar seus ingredientes ao consumidor final.
“Os grandes fornecedores de matérias-primas não fornecem para quem quer comprar”, disse, ao explicar por que considera o acesso a insumos um risco menor para a Welz.
Portfólio de olho nas canetas emagrecedoras
A entrada da empresa no setor ocorre em um momento de difusão dos medicamentos análogos ao GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
Theo Sens afirma que a marca planeja lançar ainda em 2026 produtos voltados aos consumidores que utilizam essas substâncias. Segundo ele, perfis de proteína considerados mais leves, como o colágeno, podem ser uma alternativa para pessoas que relatam desconfortos gastrointestinais durante o tratamento com medicamentos como Ozempic e Mounjaro.
O BodyPeptide é apresentado nesse contexto como uma opção às proteínas tradicionais. A empresa afirma que o ingrediente utilizado na bebida possui mais de dez anos de estudos clínicos.
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Do lado regulatório, os executivos afirmam que a fiscalização sanitária brasileira é mais rigorosa do que muitas vezes se imagina e citam o fechamento de fábricas pela Anvisa por descumprimento de normas.
Parte do portfólio terá uma certificação internacional, ainda não revelada. A operação, porém, ficará restrita ao mercado brasileiro em um primeiro momento.
“Precisamos focar no mercado brasileiro”, afirmou Gabriel Sens.
O executivo descartou, por ora, a venda dos produtos no exterior, apesar de a Live! já manter loja e site nos Estados Unidos. O surfista Gabriel Medina é embaixador do grupo.
Depois dos dois lançamentos previstos para agosto, a Welz pretende apresentar um novo produto por mês até dezembro, somando cerca de seis itens até o fim do ano.
Também estão previstos lançamentos nas categorias de proteína e creatina.
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