A rede celular privativa (RCP) do governo federal que vai atender às forças de segurança e de emergência no Distrito Federal será uma SMVNO, sigla para “operadora móvel virtual segura”. Ela contará com um core próprio, separado daquele das teles, e com uma criptografia adicional. Serão abertas RFPs para a contratação do core e da estrutura para a MVNO, mas antes são aguardadas definições de governança entre os órgãos públicos que vão utilizar a RCP.
Entre os órgãos que utilizarão a RCP do governo federal estão a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, o Samu e o Detran do Distrito Federal; a Polícia Federal; a Polícia Rodoviária Federal; a Polícia do Senado; a Polícia da Câmara dos Deputados; e o Exército.
A decisão por trabalhar com uma SMVNO é inspirada em projetos de RCPs de forças de emergência construídos nos EUA, na França e na Finlândia, explica o diretor de operações da EAF, Geraldo Segatto, em conversa com o Mobile Time. A construção da RCP do governo federal é uma das obrigações das teles vencedoras do leilão de 5G, e a coordenação está sob a responsabilidade da EAF.
“Este projeto é pioneiro na América Latina. É complexo, mas importantíssimo para a segurança do país. A França levou cinco anos para desenhar e implementar. Não adianta correr. Fazer rápido, com pouco planejamento e pouca certeza da necessidade, representa um risco”, avalia o executivo.
A Telebras será a operadora da RCP. Ainda não está decidido se ela será uma MVNO conectada diretamente à rede de uma operadora ou se usará a plataforma de um enabler (MVNE). As duas possibilidades serão analisadas e constarão da RFP.
Segurança e performance como prioridades da rede celular privativa do governo

Geraldo Segatto, diretor de operações da EAF
Para garantir a segurança da comunicação das forças de emergência na RCP do governo federal, o projeto prevê o uso de um core separado; uma plataforma de comunicação de serviços de missão crítica, com criptografia adicional; e criptografia entre os links de conexão com a plataforma.
Para que não haja deterioração do serviço em áreas com alta densidade de usuários, estuda-se uma alteração na regulamentação das telecomunicações. A ideia é permitir que a comunicação da SMVNO do governo tenha prioridade dentro da rede de acesso que for contratada, explica Segatto.
Ainda está sendo levantada a quantidade de linhas móveis que cada órgão terá para acesso à RCP do governo federal. Paralelamente, está sendo discutido neste momento como serão a governança e o rateio dos custos de manutenção dessa rede. As conversas envolvem o Ministério da Justiça, o Ministério das Comunicações e a Anatel.
Redes legadas integradas
As forças de segurança do Distrito Federal que vão compartilhar a SMVNO do governo possuem redes legadas de comunicação por voz, com tecnologias como Tetra e P25. Ao todo, são cinco redes distintas e que até bem pouco tempo não estavam interconectadas: uma do governo estadual servindo à PM, aos bombeiros e a outros órgãos estaduais; uma do governo federal usada pela PF e pela PRF; uma do Exército; uma da Polícia da Câmara dos Deputados; e uma da Polícia do Senado.
“Havia silos de comunicação. Do jeito que era, os policiais do Senado e da Câmara não se falavam, embora estivessem em prédios lado a lado. No caso Lázaro, em que houve ações conjuntas entre as forças de segurança, os agentes precisaram emprestar aparelhos uns para os outros”, relembra Segatto. [Nota do editor: Lázaro foi um assassino em série que foi perseguido por dias pelas forças policiais em 2021]
Como parte do projeto da RCP do governo, uma primeira fase já está quase concluída, consistindo na integração entre essas cinco redes legadas para viabilizar a comunicação entre elas. Foi contratada uma plataforma da Motorola, chamada MCX, que viabiliza a interoperabilidade entre redes Tetra e P25. Agora, já é possível criar grupos de comunicação com dispositivos em quatro dessas redes legadas – falta integrar apenas a da PF e da PRF.
Quando for implementada a SMVNO, esta será ligada à mesma plataforma MCX. E será possível adotar dispositivos híbridos, que operam tanto em redes legadas P25 e Tetra quanto nas redes celulares 4G e 5G.
Segatto vai apresentar o projeto da RCP do governo federal no 6º MPN Forum, que acontecerá, no dia 16 de junho, no WTC, em São Paulo. O evento contará também com apresentações e painéis com representantes da Anatel, da Petrobras, da Vale, da Rede Globo, da São Martinho, dentre outras empresas e instituições.
Rede fixa privativa
Além da rede móvel, o governo contará com uma rede fixa privativa que conectará 6,5 mil pontos nas 26 capitais e no Distrito Federal com velocidades entre 100 Mbps e 100 Gbps. A Telebras será a operadora.
Já foram construídos os anéis ópticos metropolitanos ao redor de 26 cidades, faltando apenas São Paulo, e os acessos estão prontos em 22 delas. A expectativa de Segatto é entregar a infraestrutura para a rede fixa até dezembro deste ano.




