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Após R$ 6 bi em saques, CEO do BRB diz que pior da crise passou

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Bloomberg — O CEO do Banco de Brasília disse que o banco deve resolver a crise causada pelos negócios que fez com o Banco Master, hoje liquidado, e que levou a cerca de R$ 6 bilhões em saques por parte de clientes.

O banco, que aguarda uma capitalização liderada pelo governo do Distrito Federal, espera que Brasília conclua até o fim deste mês negociações com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para um empréstimo que pode chegar a R$ 6,6 bilhões, afirmou Nelson Antônio de Souza. O BRB, como o banco é conhecido, ainda precisa resolver a situação de capital, mas Souza disse que o banco superou o pior de uma crise de liquidez.

“Nós perdemos na faixa de R$ 6 bilhões de clientes que estavam cobertos pelo FGC, mas já estamos recuperando”, disse em entrevista à Bloomberg News na quarta-feira (10), referindo-se a saques feitos desde que o Master foi liquidado, em novembro.

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Se concluída, a capitalização dará fôlego a um dos últimos bancos regionais ainda em operação no Brasil, depois de ter sido atingido pelas consequências do escândalo do Banco Master.

O Master entrou em colapso no ano passado, no que autoridades consideram ter sido a maior fraude bancária da história do Brasil.

O BRB estima ter recebido R$ 21,9 bilhões em ativos do Master, sendo que autoridades afirmaram que parte deles foi fabricada, ou seja, não tem lastro.

A capitalização de até R$ 8,8 bilhões será liderada pelo governo do Distrito Federal, que controla o banco através de uma fatia majoritária das ações.

Ela cobriria uma provisão de igual montante para perdas esperadas com os ativos vindos do Master. Brasília busca um empréstimo junto ao FGC, com os maiores bancos do país como fiadores e garantias através de repasses que o governo federal tipicamente faz à administração local.

A expectativa é que o empréstimo tenha as tratativas concluídas até o final de junho, disse Souza. As condições ainda estão em negociação, mas a proposta enviada ao FGC e aos bancos incluiu um prazo de 15 anos, com pagamentos começando em 2028, de acordo com o CEO.

Leia também: Governo do DF tomará empréstimo de R$ 6,5 bi do FGC para socorrer o BRB

A saída se tornou possível depois que o governo federal concordou, em maio, em flexibilizar regras fiscais que proibiam Brasília de fazer um empréstimo dessa proporção. O governo local não poderá conceder reajustes salariais e nem expandir a folha de pagamento até que o empréstimo seja quitado.

A demora na conclusão da operação tem gerado preocupação no mercado, dada a frágil situação financeira do BRB.

“Avaliamos que descompassos no cronograma ou insuficiência de recursos para absorver as perdas podem elevar o risco de liquidação da instituição”, disse a S&P Global Ratings em maio ao reduzir a nota de crédito local do banco para brCCC+/brC.

Apesar do tempo alongado, o BRB tem capacidade de seguir operando, disse o CEO. O governo do DF securitizou parte da dívida ativa e utilizou o recurso obtido para aportar cerca de R$ 1 bilhão dos R$ 8,8 bilhões da capitalização, adicionou ele.

Leia também: BRB fecha acordo com a gestora Quadra para vender R$ 15 bi em ativos do Banco Master

O ex-CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso em meio à acusação de ter recebido imóveis de luxo de Daniel Vorcaro, o CEO do Master, por supostamente facilitar operações feitas entre os dois bancos.

O BRB também tentou comprar o Master, mas o negócio foi rejeitado pelo Banco Central em setembro, e o Master, liquidado dois meses depois.

Souza chegou ao BRB em novembro para tentar recuperar o banco. Um veterano do setor, ele ocupou os cargos de CEO dos bancos federais Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal, onde passou a maior parte da carreira.

Uma potencial liquidação do BRB era vista por muitos agentes do setor como arriscada para o sistema financeiro, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ao jornal Valor Econômico que poderia custar R$ 17 bilhões ao FGC, somando-se ao impacto de R$ 51,8 bilhões que o fundo sofreu com a quebra do Master. Além disso, o BRB presta serviços a governos e tribunais regionais e tem uma operação de banco de varejo maior que a do Banco Master.

Leia também: Colapso do Banco Master levanta dúvidas sobre capital e liquidez do BRB

Mesmo com uma solução ainda pendente, o banco estruturou um plano de negócios para o período entre 2026 e 2030 que poderia gerar mais de R$ 1 bilhão em lucro em 2028, disse Souza. Os resultados do ano passado ainda não foram publicados, porque o banco aguarda pela conclusão do processo de auditoria.

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