Neste sábado (13), às 19h, a Seleção Brasileira entra em campo contra o Marrocos, dando mais um passo na busca pelo tão sonhado hexacampeonato. O Brasil não conquista o título desde 2002, um jejum que já dura mais de duas décadas. Ainda assim, a paixão pelo principal torneio do futebol mundial segue viva e atravessa gerações. Para entender esse sentimento, o Marília Notícia conversou com torcedores que guardam na memória momentos inesquecíveis da trajetória da seleção.
Para muitos fãs, a edição de 1970, disputada no México, representa o maior marco afetivo da história do futebol brasileiro. Wanderley Marcos Cassolla, conhecido como Tico Cassolla, de 69 anos e morador de Garça, lembra com riqueza de detalhes de ter assistido ao tricampeonato na juventude, em uma televisão preto e branco da marca Colorado RQ.
“Na época eram poucos aparelhos de TV na cidade. Nós, a garotada, ficávamos sentados no chão da sala, todos espremidos assistindo aos jogos”, relata Tico.
Ele guarda a decisão contra a Itália, vencida pelo Brasil por 4 a 1, não apenas como uma partida, mas como “uma aula de futebol”. Até hoje, volta a assistir ao confronto pela internet para relembrar aquele momento.
Para Carlos Sanches Garcia, de 63 anos, o torneio de 1970 também foi a primeira grande lembrança ligada ao futebol. Aos sete anos, morando no Lar dos Meninos, em Presidente Prudente, ele acompanhou de lá a consagração da equipe liderada por Pelé.
“A primeira que eu lembro ter assistido alguns jogos foi a do Pelé, em 1970. Ele foi, com certeza, o maior jogador de futebol de todos os tempos”, afirma Carlos.

Assistir a um Mundial ao vivo é uma experiência que poucos esquecem. Helena Camargo, de 84 anos, viveu a emoção de acompanhar de perto a campanha do tetracampeonato, em 1994, assistindo a uma partida do Brasil contra a Holanda, em Dallas, nos Estados Unidos. Já Luiz Quinzane, de 89 anos, recorda ter acompanhado os primeiros jogos do torneio no Rio Grande do Sul.
Tico Cassolla também teve a oportunidade de vivenciar uma edição disputada em solo brasileiro, ao comparecer ao jogo de abertura da competição realizada em 2014, em São Paulo.
“Qual brasileiro que gosta de futebol não queria ver a abertura? Ainda mais disputada em nosso país? Ali não tinha rico, não tinha pobre. Eram todos cidadãos comuns, simples torcedores vendo uma bola correr no gramado”, afirma.
Mas o futebol também é feito de frustrações. Tico conta que ainda sofre ao lembrar da eliminação de 1982, no Estádio Sarriá, diante da Itália, com a seleção comandada por Telê Santana que, segundo ele, “jogava por música”. A angústia é tanta que permanece presente até hoje.
“Chego até mesmo a fechar os olhos quando o Éder cobra a falta. A bola vai pelo alto, o Oscar sobe e cabeceia. Em seguida, abro os olhos para ver se a bola não entrou”, relembra.

Rei Pelé
Quando o assunto é o maior jogador de todos os tempos, as opiniões atravessam gerações. Para Luiz Quinzane, não há qualquer dúvida sobre quem ocupa esse posto.
“Não tem nenhum que foi melhor que o Pelé. Não tem comparação com o que tem hoje em dia. Nem se compara. Hoje em dia o pessoal está ganhando muito dinheiro, mas jogando mesmo é pouco. Estão ganhando dinheiro e devendo futebol”, opina o aposentado.
Carlos Garcia, por outro lado, destaca craques mais recentes que proporcionaram alegrias aos torcedores até a conquista de 2002. Para ele, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká marcaram época.
“Eu sou palmeirense, mas o Ronaldo Fenômeno, que jogou no Corinthians, foi o nosso melhor jogador. Ele era um talento incrível”, diz.

Já Tico Cassolla faz questão de destacar Neymar como o melhor atleta que viu atuar ao vivo. A lembrança remete justamente à partida de abertura da competição realizada no Brasil.
“Era um jogador diferenciado. Estava em grande forma, técnica e fisicamente. A sua movimentação em campo foi impressionante”, afirma.
A expectativa para o duelo contra o Marrocos é alta, e os preparativos para acompanhar a partida já começaram. Carlos Garcia, demonstrando que a paixão pelo futebol não envelhece, se antecipou para não perder nenhum lance.
“Comprei até uma televisão faz quase dois meses e não vou perder nenhum jogo. Essa partida contra o Marrocos, por exemplo, vou ligar meia hora antes para acompanhar a expectativa do pessoal sobre a participação brasileira na Copa”, conta.
É com essa mistura de nostalgia pelas conquistas do passado e esperança na atual geração que milhares de brasileiros, como Tico, Luiz, Helena e Carlos, vão vestir a camisa neste sábado, unidos pelo sonho da sexta estrela.




