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Como a Fidelity transformou Wall Street e sobreviveu à disputa entre pai e filha

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Em 1946, Edward “Ted” Johnson II fundou a Fidelity Investments, democratizando o acesso ao mercado financeiro. Hoje, uma gestora administra cerca de US$ 15 trilhões, com um em cada cinco adultos americanos confiando em suas economias à empresa.

O livro “House of Fidelity”, de Justin Baer, ​​​​​​explora a dinastia Johnson e como a Fidelity se tornou uma das instituições mais influentes das finanças americanas.

A empresa revolucionou a forma como as pessoas pouparam e planejaram a aposentadoria, mantendo o controle familiar ao longo de três gerações.

A crise sucessória entre Edward “Ned” Johnson III e sua filha Abigail Johnson quase levou à venda da Fidelity.

Mas, Abby, que sempre planejou o ceticismo e os desafios internos, conseguiu reconquistar a confiança do pai e, após um acordo que preservou a dinastia, substituiu a liderança da empresa, mantendo-a sob controle familiar.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em 1946, enquanto o mundo tentava se reerguer depois de seis anos de guerra e cerca de 75 milhões de mortos, o advogado americano Edward “Ted” Johnson II fundou a Fidelity Investments, um projeto arrojado para atrair mais pessoas para o mercado financeiro. Investir, até ali, era uma atividade reservada à elite.

Hoje, exatos 80 anos depois, cerca de US$ 15 trilhões circularam pelas contas de clientes e fundos de investimentos da gestora — o equivalente ao soma dos PIBs do Brasil , da Alemanha , do Japão e da Índia . Um em cada cinco adultos nos Estados Unidos confia suas economias à empresa. E, nada menos que metade deles, aderiu à plataforma nos últimos cinco anos.

No livro House of Fidelity: The Rise of the Johnson Dynasty and the Company That Changed American Investing, inédito no Brasil, o veterano jornalista de economia Justin Baer traça o retrato de Johnson e mostra a obsessão da família em manter o controle da empresa, em meio às disputas internas, rivalidades entre executivos e crises sucessórias.

O autor mostra também como a Fidelity se tornou uma das instituições mais influentes da história financeira do país, revolucionando o modo como os americanos poupam e planejam a aposentadoria.

O modelo de negócios da companhia ajudou a democratizar o acesso aos fundos mútuos. Ao oferecer produtos financeiros diretamente para investidores individuais, por exemplo, um gestor de dependência de corretoras tradicionais.

A empresa ainda impulsionou os planos de aposentadoria 401(k) — muito comuns nos Estados Unidos, permite ao trabalhador investir parte do salário, antes da incidência de impostos.

A principal tese de Baer é que os Johnsons não apenas acompanharam as transformações do mercado financeiro americano, como ajudaram a defini-las.

A família é apresentada como uma das últimas grandes dinastias privadas de Wall Street, capaz de manter o controle de uma instituição enorme e influente ao longo de três gerações. Baseado em cerca de 200 entrevistas, House of Fidelity cobre da fundação da companhia por Ted Johnson, um advogado e investidor de Boston, à ascensão de sua neta, Abigail Johnson, CEO da companhia desde 2014.

Diferente de outros clãs empresariais americanos, os Johnson sempre evitaram a exposição pública — dentro e fora da gestora. A cultura da discrição, segundo Baer, contribuiu para a criação de um ambiente interno marcado por relações de poder pouco transparentes e tomadas de decisão em um círculo extremamente restrito.

Foi assim que a família conseguiu manter por muito tempo o sigilo em torno de uma das maiores crises enfrentadas pela companhia. As desavenças entre Edward “Ned” Johnson III e sua filha Abigail aparece como o capítulo mais dramático da história: a disputa entre os dois quase levou à venda da Fidelity.

Editado pela Grand Central Publishing, o livro tem 352 páginas

Ned assumiu a presidência da gestora em 1972 e tornou-se chairman cinco anos depois. Nos 42 anos seguintes, ele expandiu agressivamente os negócios e transformou a empresa em uma potência global.

Sob sua liderança, o grupo investiu em tecnologia, corretagem de baixo custo, contas de aposentadoria e mecanismos que popularizaram os investimentos financeiros. Nesse período, os ativos sob gestão da Fidelity passaram de US$ 3,9 bilhões para US$ 2,1 trilhões.

Abby, como a CEO é conhecida, ingressou na Fidelity em 1988 como analista de ações. Aos 26 anos, ela acabara de concluir um MBA em Harvard. Desde o início, porém, conviveu com o ceticismo de executivos veteranos da empresa. Muitos viam sua posição de herdeira natural de carga como um favorecimento familiar — não como resultado de sua competência executiva. No círculo de confiança de Ned, comentários paternalistas e desdenhosos eram frequentes.

“Eu me demito”

Em 2005, Abby liderava a principal divisão da diretoria de fundos mútuos da companhia há quatro anos, quando o setor entrou em um período de retornos fracos e perdas de investidores. Diante das dificuldades operacionais e divergências estratégicas com o pai, ela perdeu apoio interno. Um grupo de conselheiros independentes dos fundos defendeu sua saída do cargo.

Ned relutou, mas acabou concordando. Sem comunicar a decisão pessoalmente, enviou um conselheiro à casa dela para informar que ela seria transferida para a área de filantropia.

Abby reagiu com um ultimato: “Eu me demito”. O pai então recuou e a colocou no comando da divisão de serviços corporativos e planos 401(k), um dos setores mais estratégicos da empresa.

O episódio, porém, abriu uma disputa ainda mais profunda sobre o futuro da gestora. Enquanto Ned chegou a considerar a venda da Fidelity para gigantes de Wall Street.

No livro, Abby conta que executivos próximos de seu pai, inclusive, chegaram a promover reuniões com possíveis compradores. Entre eles, o Bank of America e o J.P. Morgan Chase.

Em resposta, ela reuniu apoio entre executivos favoráveis à continuidade dos Johnson no comando da empresa. Seus aliados chegaram até a discutir formas de utilizar o poder acionário da família para, se preciso fosse, limitar a influência de Ned dentro da empresa.

A ameaça de confronto no conselho foi encerrada com um acordo que preservou a autoridade do presidente e que formalizou o plano de sucessão.

Anos depois, Abby reconquistou a confiança do pai e assumiu a liderança da empresa. Assim, a Fidelity se mantém 100% privada sob controle da dinastia Johnson.



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