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A fila existe: B3 diz ter até 100 empresas prontas para abrir capital

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Nos últimos quatro anos, o mercado de capitais brasileiro foi dominado pela narrativa de que vai faltar papel na bolsa de valores local. Os IPOs desapareceram, as ofertas de ações se tornaram raras e uma sequência de empresas decidiu fechar o capital.

Mas a B3 tem argumento contra essa (aparente) perda de relevância. No programa Números Falam, o CFO André Milanez afirmou que existe uma fila de empresas preparadas para acessar o mercado de capitais.

“Se olhar o pipeline de companhias que vêm se preparando para abrir o seu capital, temos pelo menos 50 que já estão, inclusive, com registro de companhia aberta aprovado, esperando um momento”, afirmou Milanez no programa do NeoFeed em parceria com a CNN Brasil.

“Tem entre 50 e 100 companhias que poderiam vir a mercado quando a gente tiver uma condição mais favorável”, complementou no programa, que é exibido às sextas-feiras, quinzenalmente, às 19h45 no CNN Money.

Segundo ele, o problema não está na falta de candidatos a abrir o capital, mas na ausência de uma demanda mais robusta por parte dos investidores.

Isso significa que a dificuldade atual não está na oferta de projetos, mas no ambiente financeiro que ainda limita o apetite dos investidores. “O nosso problema não é de oferta, é de demanda”, afirmou Milanez.

A explicação passa, principalmente, pela taxa básica de juros. Com a Selic ainda na casa de dois dígitos, boa parte do capital local continua encontrando retornos atrativos em instrumentos de renda fixa, reduzindo o incentivo para assumir o risco adicional das ações.

Na visão do executivo, essa diferença ajuda a explicar inclusive o comportamento distinto entre investidores brasileiros e estrangeiros.

Enquanto o investidor local ainda encontra retornos elevados em aplicações conservadoras, o estrangeiro observa um mercado acionário que continua negociando com descontos relevantes quando comparado a outros mercados globais.

Não foi por acaso que a entrada líquida de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira alcançou R$ 53,8 bilhões no primeiro trimestre, volume superior ao registrado durante todo o ano de 2025.

Mas, mesmo com essa melhora, e o IPO da Compass que destravou um mercado que estava há quatro anos sem uma novidade, a reabertura da janela para novas ofertas ainda não é definitiva. “Acho que está cedo para dizer que o mercado destravou”, disse Milanez.

Pragmatismo do fechamento de capital

Por outro lado, o mercado acionário brasileiro convive com uma sequência de fechamentos de capital que alimenta dúvidas sobre a atratividade da bolsa de valores local.

A B3 é bem pragmática com essa dinâmica. Quando as ações negociam a preços considerados baixos pelos controladores, a tendência é que alguns empresários optem por recomprar suas companhias e fechar o capital.

Quando as avaliações melhoram e o custo de capital cai, novas empresas encontram incentivos para fazer o movimento contrário.

“Em momentos em que temos uma desvalorização do mercado, é natural ver companhias ou empreendedores decidindo fazer movimentos como fechamento de capital”, disse o CFO.

“Quando você tem momentos mais favoráveis, isso abre oportunidade para novas empresas”, complementou.



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