Bloomberg — Todas as preocupações sobre a Copa do Mundo de 2026, desde o calor extremo até as dores de cabeça no transporte e os preços recordes dos ingressos, não conseguiram manchar os primeiros dias do torneio.
Houve poucos relatos de problemas graves. O clima de positividade também foi ajudado pelo bom desempenho das três nações anfitriãs, com o México e os Estados Unidos vencendo de forma dominante e o Canadá empatando.
“Estamos aqui curtindo a emoção de um país em um só coração”, disse Josue Ortega Ramirez, de 44 anos, na Cidade do México, enquanto os torcedores inundavam as ruas da capital durante uma chuva torrencial após a vitória por 2 a 0 sobre a África do Sul na quinta-feira, na abertura do torneio.
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“Isso é algo que entusiasma a todos nós, onde as classes sociais e as diferenças não existem.”
Mas nem tudo foram boas vibrações. Havia muitos assentos vazios no empate do Catar com a Suíça, o que reforçou a preocupação de que os altos preços dos ingressos tivessem prejudicado a demanda.
À medida que o jogo prosseguia, mais espaços se abriam nas arquibancadas. Em Guadalajara, onde a Coreia do Sul derrotou a República Tcheca, havia grandes seções de assentos vazios.
A ameaça de aplicação da lei de imigração pelas autoridades dos EUA pairou sobre a Copa do Mundo. Maria Price agitou uma grande bandeira mexicana durante uma festa de observação na quinta-feira no centro de Los Angeles.
Price, que nasceu no México e agora é cidadã americana, disse que o comparecimento foi pequeno porque muitos mexicanos-americanos da região ainda vivem com medo desde a repressão aos imigrantes no ano passado pelo governo Trump, que enviou agentes federais apoiados por milhares de tropas americanas para a cidade.
“Em outros anos, o local estaria lotado”, disse Price. “As pessoas têm medo de sair”.
Mais equipes, mais torcedores
Para esta Copa do Mundo, a organizadora do torneio, a FIFA, ampliou de 32 para 48 equipes, o que acrescentou 40 partidas. Os críticos dizem que a mudança diluiu o campo e serviu como outro exemplo do esforço da FIFA para aumentar a receita a todo custo.
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Mas isso significou muito para os torcedores de equipes nacionais que perderam várias Copas do Mundo consecutivas.
O I Love Paraguay, um dos poucos restaurantes em Nova York que serve culinária do país sul-americano, tornou-se um ponto de encontro para a diáspora.
Durante o jogo de sexta-feira à noite com os Estados Unidos, os torcedores lotaram as mesas e até se sentaram no chão para assistir ao primeiro jogo do país na Copa do Mundo em 16 anos.
“Sinto arrepios só de estar aqui”, disse Mirian Cáceres, de 60 anos, que voou de sua casa na capital do Paraguai, Assunção, para Nova York para passar três semanas visitando sua irmã e assistindo aos jogos. Ela não tem planos de assistir a nenhum jogo pessoalmente porque queria apenas estar perto da ação. “Eu vim para ver de perto”.
A seca do Haiti na Copa do Mundo foi ainda mais longa, datando de 1974. A equipe superou grandes dificuldades, com o país imerso em disfunção e violência. O país não jogava uma partida em casa desde 2021, e a equipe raramente treinava junta.
Em um bairro do Brooklyn conhecido como Little Haiti, os torcedores lotaram restaurantes e bares para ver a derrota de sua equipe por 1 a 0 para a Escócia, que não participava da Copa do Mundo desde 1998.
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No BunNan, os garçons entregavam pratos de banana-da-terra doce e frango jerk para um restaurante lotado.
“Por mais que sejamos um restaurante, somos um centro comunitário”, disse Nadege Fleurimond, proprietária do BunNan.
“Tudo gira em torno da cultura, das pessoas, então foi óbvio que organizaríamos uma festa para assistir ao jogo.”
Como chegar a Nova Jersey
Como seria o transporte para os jogos foi uma das principais histórias da Copa do Mundo. Um repórter da Bloomberg viajou de trem de Manhattan para o estádio MetLife, em Nova Jersey, para assistir ao empate do Brasil com o Marrocos, sem incidentes – embora tenha custado US$ 98.
Ayoob Musanovic, recém-formado pela Western Connecticut University e torcedor do Marrocos, disse que sua viagem para o jogo correu bem. Ele pegou um trem da Amtrak para Manhattan e depois um traslado de US$ 20 para o jogo. Mas reclamou do fato de ter pago US$ 1.700 por uma passagem.
“O capitalismo é assim mesmo”, disse Musanovic. “Mas estamos aqui agora de qualquer maneira. Vamos apoiar o país.”
Os preços exorbitantes dos ingressos para esta Copa do Mundo levantaram dúvidas sobre a lotação dos estádios na fase de grupos. Os críticos disseram que a FIFA estabeleceu preços iniciais muito altos, o que só os elevou nas plataformas de revenda.
Muitos torcedores se juntaram às críticas, mas, no final, estavam dispostos a pagar porque isso significa muito para eles.
Hyunki Jo, 26 anos, desembolsou US$ 5.000 por sua viagem ao México para ver a Coreia do Sul jogar.
Vestido com sua camisa vermelha da seleção nacional e agitando a bandeira de seu país, ele riu e tirou fotos com os torcedores mexicanos. Os países têm um vínculo improvável que remonta a 2018, quando a Coreia do Sul surpreendeu a Alemanha na Copa do Mundo para ajudar o México a avançar para a fase eliminatória.
“No final, não acho que tenha sido tão caro”, disse ele. “Eu realmente queria vir para cá e estar em uma Copa do Mundo.”
Em Toronto, na sexta-feira, Joshua Mathias e Binoy Dalmeida vieram direto do trabalho para o BMO Field.
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Mas eles não compraram ingressos porque eram muito caros. Em vez disso, os amigos, que cresceram na Índia, se amontoaram na sombra do lado de fora do estádio e transmitiram o jogo do Canadá por telefone, vestindo as cores vermelha e branca do país anfitrião.
“Pensamos que, pelo menos, poderíamos vir para fora e sentir a aura de assistir a um jogo da Copa do Mundo”, disse Dalmedia.
–Com colaboração de Greg Ryan, Gonzalo Soto, Andrea Navarro, Joe Lovinger, Miles J. Herszenhorn, Lorelei Smillie, Jessica Kim, Thomas Seal, Julie Fine, Vanessa Perdomo e Victor Swezey.
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