Ao participar do 3º Fórum de Transformação Digital da Advocacia Pública, que acontece nesta segunda-feira, 15/6, organizado pela Network Eventos, em Brasília, o ministro da AGU, Jorge Messias, advertiu para o risco de o Brasil ficar para tras por conta da dependência tecnológica e foi taxativo ao afirmar que o país precisa fazer uma opção: ficar dependente tecnológico ou partir para a independência com o maior uso de tecnologia nacional. “Não podemos nos submeter aos mecanismos de apropriação de dados e informações de mais de 200 milhões de brasileiros por companhias estrangeiras sem olhar a ética algorítmica. Fazer tecnologia não é simples, mas temos capacidade”, advertiu.
Messias lembrou que o poder dos algoritmos está nas mãos de quatro a cinco empresas e esse ferramental virou instrumento de guerra. “O risco geopolítico nunca esteve tão acentuado. Neste final de semana, Trump proibiu o acesso do Claude para países e até para cidadãos estrangeiros que moram nos Estados Unidos. Essa decisão nos obriga a refletir. Mas também tivemos a divulgação da IA do Iplan Rio, que nos dá uma sensação promissora de que é possível fazer”, assinalou.
O ministro da AGU firmou posição com relação à Inteligência Artificial. Ela é uma tecnologia, precisa e deve ser usada, mas o controle humano é inegociável. Messias, que aproveitou o evento para assinar a Política de Proteção de Dados Pessoais da AGU, em adequação à LGPD, reforçou que o momento – com uso cada vez maior de dados e que se quer incentivar o compartilhamento de informações entre os órgãos públicos – é preciso redobrar o cuidado com a ética algorítmica. “Nossos dados estão sendo usados; eles geram decisões e muitas podem ser tomadas com viés sem que percebamos”, pontuou.
Jorge Messias também falou sobre o Super Sapiens, a ferramenta inteligente de automação da AGU. Ele disse que o desejo do órgão é compartilhar essa tecnologia com outros órgãos, como ‘se coloca na Constituinte que é fazer o federalismo colaborativo’. Lembrou que a AGU está investindo pesado em tecnologia nos últimos três anos e que o Super Sapiens é motivo de muito orgulho. “Ele é fruto de várias mãos. É a ferramenta que nos permite fazer a integração de dados. Investimos muito em governança para entender a nossa responsabilidade, já que queremos levar o Super Sapiens para outros entes. A proposta é ter a advocacia pública comprometida com a entrega correta de direitos ao cidadão”, completou.




