O turismo sustentável e regenerativo vem se tornando cada vez mais um atrativo na Rota dos Corais, região que promete transformar 14 municípios do litoral nordestino, entre Alagoas e Pernambuco, em uma rota integrada de preservação ambiental, inclusão produtiva e valorização da biodiversidade costeira. Se depender da Biofábrica de Corais, startup de turismo regenerativo, pelo menos mil turistas serão engajados nas ações de conservação ambiental em 2026.
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o objetivo é fortalecer projetos que unem preservação ambiental, inovação e geração de renda. “Conhecer modelos como este é multiplicar experiências que ampliam oportunidade e cidadania. O nosso compromisso é apoiar as micro e pequenas empresas do país, transformando ideias e sonhos em oportunidades concretas de desenvolvimento. Aqui, temos uma iniciativa de grande relevância, fruto de uma pesquisa desenvolvida por biólogos de uma universidade federal e sua equipe.
Trata-se de uma oportunidade de revitalizar e proteger os corais da Costa dos Corais, um patrimônio natural que gera renda, emprego e desenvolvimento para toda a região. Para garantir a preservação desse ecossistema, é fundamental promover a sustentabilidade e a educação ambiental. Turistas, moradores e todos aqueles que vivem e trabalham nesse território precisam atuar de forma consciente, respeitando o meio ambiente e contribuindo para sua conservação.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae
Segundo Karoline Melo, gerente da Biofábrica de Corais, o projeto de recuperação de corais já apresenta resultados expressivos tanto na conservação ambiental quanto no engajamento da sociedade. “Até o ano passado, mais de 1.500 corais haviam sido manejados pela equipe. Além disso, as ações de comunicação e turismo ligadas ao projeto alcançaram mais de 10 milhões de pessoas, considerando o impacto das redes sociais e da ampla cobertura da mídia espontânea, que já contabiliza mais de 220 inserções”, destacou.
Karoline destaca que a credibilidade do trabalho está baseada em dados auditáveis e resultados concretos, aspecto fundamental para atrair turistas interessados em ciência, sustentabilidade e experiências de impacto positivo. “A iniciativa tem forte atuação em educação ambiental, envolvendo desde crianças até jovens, adultos e visitantes da região. Somente no ano passado, 399 turistas participaram diretamente das atividades de turismo regenerativo voltadas à pesquisa e recuperação de corais. A meta agora é ampliar esse alcance e engajar pelo menos mil turistas nas ações de conservação, fortalecendo a relação entre turismo sustentável, preservação ambiental e desenvolvimento econômico local”.
Para o superintendente do Sebrae Pernambuco, os resultados já começam a parecer. “A Biofábrica de Corais se posiciona como uma startup criada para enfrentar um desafio específico da região, aplicando inovação a um tema complexo e estratégico, que são a conservação da natureza e da vida marinha. Essa conexão entre ciência, empreendedorismo e sustentabilidade fortalece o desenvolvimento local e cria oportunidades para o turismo sustentável. Outro aspecto relevante é o envolvimento da comunidade. Por meio de ações como a adoção de corais e outras experiências participativas, o projeto aproxima a população da conservação ambiental, despertando o sentimento de pertencimento e responsabilidade coletiva”, afirma.

Turismo de Experiência
O turismo de experiência tem se consolidado como uma importante ferramenta de educação ambiental e conscientização da população sobre a preservação dos corais e dos ecossistemas marinhos.
Para os responsáveis pelo projeto, uma das principais contribuições da iniciativa é aproximar o conhecimento científico da sociedade. Muitas vezes, as pesquisas ficam restritas ao ambiente acadêmico, enquanto o turismo permite que visitantes e moradores compreendam, na prática, a importância da conservação ambiental.
“A gente enxerga isso como uma forma de levar a sensibilização ambiental para pessoas que não pertencem à área da biologia ou do meio ambiente. Quem visita a região precisa entender o que está preservando e por que existem regras e políticas de proteção”, explica Belize Costa, educadora ambiental da Biofábrica.
As atividades ajudam os visitantes a compreender, por exemplo, a importância de respeitar as áreas delimitadas para visitação e seguir as trilhas estabelecidas para evitar impactos aos recifes. O trabalho também reforça uma informação que ainda surpreende muitas pessoas: os corais são animais e desempenham papel fundamental para a biodiversidade marinha.
Belize Costa, educadora ambiental da Biofábrica
Os resultados já podem ser percebidos na própria comunidade. Segundo os educadores ambientais, houve um avanço significativo na conscientização das crianças e dos moradores locais. “Antes, muitas crianças olhavam para um coral e diziam que era uma pedra. Hoje, quando voltamos às escolas, elas já sabem que se trata de um animal e entendem sua importância para o ecossistema”, relata Costa.
A combinação entre educação ambiental e turismo regenerativo tem contribuído para formar cidadãos mais conscientes e engajados na preservação dos recursos naturais, fortalecendo a relação da comunidade com o patrimônio ambiental da região.




