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Quem ganha e quem perde com El Niño? Com a palavra, o Bradesco BBI

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Assim como ocorre com as commodities agrícolas, o El Niño pode causar impactos diferentes às empresas com exposição ao agro listadas na Bolsa. É o que indica um relatório recente do Bradesco BBI.

Com base em um levantamento de dados de clima e produtividade das principais lavouras brasileiras desde 1982, os analistas Henrique Brustolin e Giovanni D’Ottaviano avaliam que Camil e 3tentos podem ser as principais beneficiárias, enquanto a SLC apresenta a exposição mais clara a potenciais perdas.

No caso de JBS e MBRF, produtoras de aves e suínos, o principal risco do fenômeno climático está nos custos da ração animal no Brasil — se houver quebra na safra de grãos, os preços tendem a subir.

Já para as sucroalcooleiras São Martinho e Jalles, o El Niño traz perspectivas mais otimistas para o preço do açúcar, mas o cenário para o setor continuará desafiador.

Embora ressalvem que o El Niño não é “determinístico”, os analistas lembram que o fenômeno “tende a alterar precipitação, temperatura, circulação atmosférica e distribuição de umidade”. Com isso, afeta “o equilíbrio de riscos para as safras, os preços e, em última análise, as empresas expostas às cadeias agrícolas”.

Veja como o El Niño pode impactar o resultado das empresas do agro na Bolsa, segundo o Bradesco BBI:

Camil: A empresa pode ser favorecida por uma possível alta nos preços do arroz, responsável por cerca de 45% de sua receita. “Como a empresa opera um modelo de negócios baseado em taxas — beneficiando-se de preços mais altos, enquanto as margens tendem a permanecer estáveis — o aumento dos preços do arroz é claramente positivo”, explicam.

Os analistas veem uma probabilidade alta (67%) de uma quebra de produtividade na safra brasileira de arroz sob o El Niño. No caso de um evento forte, essa chance aumenta para 86%. Além disso, eles afirmam que a área plantada de arroz no País pode ter uma nova queda devido às margens apertadas no setor e ao maior risco climático.

3tentos: O seu diferencial é a exposição ao Rio Grande do Sul, onde o El Niño tende a impulsionar a produtividade e a demanda por insumos agrícolas. A companhia, aliás, é a principal escolha do Bradesco BBI no setor agrícola.

SLC Agrícola: “Enfrenta risco de produtividade negativa, dada a sua exposição ao Matopiba”, região na qual as produções de soja e milho tendem a sofrer com estiagem — e onde a SLC tem cerca de 49% de sua área plantada.

Para agravar a situação, ainda segundo os analistas do banco, os preços das commodities têm um potencial de valorização limitado. Em nível global, o histórico mostra que o El Niño levou a ganhos na produção de soja, na média, e que o fenômeno tem uma correlação menor com a produtividade do algodão. Tudo isso em um cenário de custos mais altos na safra 2026/27, devido aos preços mais altos dos fertilizantes.

São Martinho e Jalles: No caso das produtoras de açúcar e etanol, pesa o histórico favorável do El Niño para os canaviais. O levantamento sugere um ganho de 4% na produtividade nos episódios de El Niño muito forte, com o aumento no TCH (toneladas de cana por hectare) chegando a 5% no Centro-Oeste e no Sudeste.

Ainda assim, o banco pondera que uma maior produtividade da cana no Brasil e maiores chances de uma quebra de safra na Índia — o que pode ser um fator de alta nos preços do açúcar — provavelmente “não serão suficientes para alterar um cenário ainda desafiador para o mercado de açúcar”. Segundo os analistas, os preços atuais do etanol no Brasil podem continuar limitando o potencial de alta do açúcar, à medida que as usinas direcionam mais da mistura para ele.

JBS, MBRF e Minerva: O principal risco para as empresas vem da segunda safra de milho do Brasil. A perspectiva histórica para o cereal é positiva em anos de El Niño “muito forte”, com o levantamento do banco apontando um ganho de produtividade de 1% no mundo e no Brasil.

Entretanto, a safrinha — que representa cerca de 80% da produção do País — pode ficar comprometida se o El Niño atrasar as chuvas no Centro-Oeste, reduzindo a janela de plantio. Esse fator pode pressionar os custos da ração — risco ao qual a Minerva está “menos diretamente exposta”, de acordo com os analistas.

Boa Safra: O El Niño pode prejudicar a qualidade das sementes de soja no Cerrado, onde estão concentradas as operações da empresa. O excesso de chuva e umidade durante a maturação e a colheita pode prejudicar a germinação, o vigor e a qualidade sanitária, aumentando as taxas de descarte e pressionando as margens, explicam os analistas. Por outro lado, a oferta de sementes certificadas pode se tornar mais restrita e dar algum suporte aos preços.



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