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Polícia Civil conclui inquérito e indicia acusado por furto e morte cruel de gata em Garça • Marília Notícia

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Acusado de matar gato e queimá-lo em churrasqueira foi preso em flagrante pela Polícia Civil (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a morte da gata Charlotte, encontrada carbonizada em uma churrasqueira de um condomínio residencial do Centro de Garça. No relatório final, o delegado Adriano Marreiro indiciou o acusado de 21 anos pelos crimes de furto e maus-tratos a animal doméstico com resultado morte.

O caso causou forte repercussão em Garça desde que o corpo do animal foi localizado, em maio deste ano. Além dos indiciamentos, a Polícia Civil também solicitou à Justiça a reavaliação das medidas cautelares impostas ao investigado, diante do descumprimento de determinações judiciais.

De acordo com as investigações, a gata de pelagem preta e branca era conhecida e querida por moradores da região. O animal vivia nas dependências de uma marcenaria da cidade. A apuração policial apontou que a gata desapareceu no final da tarde do dia 11 de maio de 2026.

Segundo a investigação, o jovem teria retirado o animal do local e levado para seu apartamento. Durante o interrogatório, o investigado afirmou que recolheu a gata por acreditar que ela vivia abandonada, sofrendo com frio e fome, alegando desconhecer que o animal possuía tutor.

Entretanto, a versão foi contestada pela Polícia Civil. Testemunhas e o proprietário informaram que o próprio suspeito esteve na marcenaria no dia seguinte ao desaparecimento perguntando se alguém era dono de uma gata com as mesmas características.

Animal foi encontrado em churrasqueira

O desfecho do caso veio na manhã de 16 de maio, quando o porteiro do condomínio encontrou a carcaça da gata carbonizada dentro de uma churrasqueira localizada na área de lazer do prédio em que o investigado residia.

A perícia técnica realizada no local revelou elementos considerados fundamentais para a elucidação do crime. O laudo pericial apontou que a carcaça apresentava rigidez e sinais de carbonização, além de uma lesão de grande porte na região lombar direita, provocada por instrumento cortante.

Segundo a análise técnica, o corte foi realizado após a morte do animal, uma vez que não havia sinais de sangramento ou carbonização na lesão. Durante os trabalhos periciais, foram apreendidos um frasco de óleo de soja e um galão contendo líquido semelhante a álcool, materiais encontrados próximos à churrasqueira e submetidos à coleta de impressões digitais para análise.

A perícia concluiu ainda que havia indícios claros de ação humana intencional na morte e ocultação do animal.

Imagens de câmeras ajudaram na identificação

A identificação do autor ocorreu por meio da análise das câmeras de monitoramento do condomínio. As imagens registraram momentos em que o investigado aparece com o animal, além de registros que, segundo a Polícia Civil, o vinculam diretamente ao local onde o cadáver foi posteriormente encontrado.

As gravações mostram ainda o momento em que a gata é colocada dentro de uma caixa de papelão e levada em direção à área da churrasqueira.

O jovem foi preso em flagrante em seu apartamento, mas optou por permanecer em silêncio durante a abordagem policial. Em depoimento posterior, alegou enfrentar problemas psiquiátricos e dificuldades de relacionamento, afirmando ter sofrido um suposto “apagão” e não se recordar dos acontecimentos.

No relatório final, o delegado destacou que a alegação de perda de memória não afasta as provas reunidas ao longo da investigação. Segundo a autoridade policial, eventuais questões relacionadas à saúde mental devem ser avaliadas por exames específicos no decorrer do processo.

Descumprimento de medida cautelar

Outro ponto destacado pela Polícia Civil foi o comportamento do investigado após obter o direito de responder ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares. Conforme o relatório, ele teria se ausentado da cidade por mais de oito dias sem autorização judicial, contrariando uma das condições impostas pela Justiça.

Diante desse descumprimento, somado à gravidade dos fatos investigados, a Polícia Civil encaminhou representação solicitando a reavaliação das medidas cautelares e sugerindo a decretação da prisão preventiva.

No documento, o delegado ressaltou a extrema gravidade da conduta atribuída ao investigado, mencionando a crueldade empregada, o uso de fogo contra o animal, a possibilidade de o felino ainda estar vivo durante parte da ação e a posterior manipulação do corpo com instrumento cortante.

Com a conclusão do inquérito policial, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que analisará as provas e decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça. Caberá agora à Justiça deliberar sobre o caso.





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