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A Trace Finance levantou US$ 32 milhões em uma rodada Série A, validando sua atuação como infraestrutura bancária de stablecoins e abandonando a ideia de ser o “banco das startups”. A captação foi liderada pela Coinfund e contou com 13 gestoras, incluindo Coinbase Ventures e Valor Capital.
A rodada permitirá à Trace expandir para novos mercados, como Ásia-Pacífico e Oriente Médio, e consolidar sua presença em regiões onde já atua, como EUA e Brasil. A empresa planeja usar 20% dos recursos para atender exigências regulatórias e expandir sua equipe, buscando profissionais experientes do setor bancário.
Com mais de 700 clientes, a Trace processou mais de US$ 10 bilhões desde o ano passado e já atingiu o breakeven, gerando mais receita do que captou na rodada seed. A startup se reposiciona como uma empresa institucional, focando em pagamentos de alto volume e tecnologia avançada.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Trace Finance anunciou nesta quarta-feira, 17 de junho, que levantou US$ 32 milhões (R$ 162,5 milhões) em uma rodada Série A, validando sua atuação como companhia de infraestrutura bancária de stablecoins e a decisão de abandonar os planos de ser o “banco das startups”.
A startup informou que a captação foi liderada pela Coinfund, fundo de investimentos focado em criptoativos, e contou com um amplo leque de investidores. São 13 gestoras no total – além da Coinfund, a empresa obteve cheques de Coinbase Ventures, Valor Capital, Haun Ventures, Jump Capital, HOF Capital, Polymorphic, SNZ, Titan Fund, Kadan Capital, Clocktower, FJ Labs e Animoca.
A rodada também registrou a presença de investidores estratégicos, incluindo a Chainlink Labs, empresa que desenvolveu uma plataforma descentralizada de infraestrutura Web3, além de fundadores e executivos dos ecossistemas de stablecoins, pagamentos e bancos. Entre esses nomes estão Anatoly Yakovenko, cofundador do blockchain Solana, e Ricardo Villela Marino, vice-presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco.
Sem abrir o valuation, mas afirmando que o valor “ficou em torno de dez vezes maior” que os US$ 24 milhões em que a companhia foi avaliada na rodada seed, em 2022, quando captou US$ 4,3 milhões, Bernardo Brites, cofundador e CEO da Trace, diz ao NeoFeed que a rodada abre caminho para novos mercados e serve de “cartão de visitas” para atrair clientes maiores.
“Mesmo processando bilhões de dólares em volume para as maiores empresas de pagamentos do Brasil e do mundo, éramos uma empresa de rodada seed, que levantou US$ 4 milhões”, afirma. “Havia uma desconexão entre o quanto levantamos e nossa categoria, ao que estávamos fazendo, com uma operação saudável e sustentável. Agora, vamos ser enxergados como empresa institucional, séria e grande.”
Com o carimbo de empresa que atingiu a Série A, levantando um valor superior ao registrado por duas das principais startups com fundadores brasileiros com reconhecimento internacional – Kalshi (US$ 30 milhões) e Brex (US$ 7 milhões) –, a Trace quer avançar para novos mercados pelo mundo e consolidar os atuais, passando a ter grandes nomes globais em seu portfólio.
A rodada foi estruturada em meados do ano passado com a intenção de obter recursos para abrir um escritório em Singapura, que servirá de base para expandir pela região Ásia-Pacífico.
O plano prevê ainda chegar ao Oriente Médio e expandir em locais onde já atua – a Trace conta atualmente com operações nos Estados Unidos, México, Colômbia e Argentina, além do Brasil. No caso da Europa, a estratégia é continuar operando por meio de parceiros num primeiro momento, eventualmente estabelecendo presença adicional no Velho Continente.
Segundo Brites, ao menos 20% dos recursos serão utilizados para atender às exigências regulatórias de cada região. Isso inclui desde o cumprimento do capital mínimo exigido pelas autoridades locais e a obtenção de licenças até a contratação de equipes locais para temas de compliance e operação.
A Trace vem expandindo sua equipe nos últimos tempos. Com escritórios em São Paulo e Nova York, a empresa passou de 23 funcionários em janeiro para 48 em cinco meses.
Brites quer trazer mais “cabeças brancas” para a operação, ou seja, profissionais experientes para ajudar a Trace a abrir novas fronteiras. “Queremos contratar pessoas que estiveram 20 anos em grandes bancos, que já fizeram o que queremos fazer em escala e que fizeram isso por décadas”, afirma.
A rodada também consolida a atuação da Trace como uma companhia de infraestrutura. Em 2023, com a quebra do Silicon Valley Bank (SVB), banco das empresas de tecnologia no Vale do Silício, a startup viu a possibilidade de preencher o vazio que se formou na oferta de serviços bancários para startups.
Fundada em 2021 por Brites, Leone Parise e Rafael Luz, a plataforma da Trace era utilizada pelas startups para receber recursos de rodadas de investimentos pelo lado do câmbio, serviço que o SVB oferecia. Com a quebra do banco americano, a Trace lançou sua própria conta bancária para atender essa demanda, em parceria com o BNY Mellon. Mas não foi a única a ter essa ideia.
“Quando o SVB quebrou, de repente o J.P. Morgan, First Republic e até BTG Pactual e XP começaram a bancarizar esse segmento. Passamos a ter muitos concorrentes, maiores e melhores. Então, abandonamos essa ideia em 2023 e passamos a focar no que sempre fomos muito bons: pagamentos em alto volume e empresas que demandam grande tecnologia para realizar essas transações”, afirma Brites.
A estratégia se mostrou acertada. Com mais de 700 clientes, como Buser e Conta Simples, a Trace processou mais de US$ 10 bilhões desde o ano passado. A companhia não divulga dados financeiros, mas Brites afirma que a empresa já atingiu o breakeven e que “geramos mais receita no ano passado do que captamos na rodada seed”.




