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Um relatório do Itaú BBA destaca a transição do foco da mídia esportiva da TV linear para o streaming, especialmente com a Copa do Mundo FIFA 2026. No Brasil, a CazéTV se destaca como a única plataforma no Brasil a transmitir todos os jogos, desafiando o monopólio da TV tradicional.
O crescimento das verbas publicitárias digitais no Brasil, que devem saltar de US$ 11,2 bilhões em 2021 para US$ 24,4 bilhões até 2030, reflete essa mudança, com a participação da TV caindo de 33% para 20%. O consumo de vídeo em plataformas digitais, como YouTube, também cresceu, enquanto a TV linear perdeu audiência.
O relatório aponta que o valor dos direitos de transmissão do futebol no Brasil aumentou de R$ 2,6 bilhões em 2019 para R$ 5,4 bilhões em 2025, mas ainda é baixo em comparação a outros mercados. A criação de uma liga única de futebol é vista como essencial para maximizar o potencial de monetização no setor.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Aproveitando o gancho da Copa do Mundo FIFA 2026, o Itaú BBA escalou seu time de analistas para produzir um extenso relatório sobre um tema que tem sido o grande destaque do torneio fora das quatro linhas: a mudança do foco dos esportes e da mídia ao vivo para o formato de streaming.
Dentro dessa tendência, o Brasil não é um mero espectador. Prova disso é o fato de que CazéTV será a única plataforma no País a transmitir todos os 104 jogos da competição, quebrando o monopólio histórico da TV linear.
O banco de investimentos traz outros dados como pano de fundo para esse contexto. A começar pelo crescimento das verbas publicitárias no mercado brasileiro, que saltaram de US$ 11,2 bilhões, em 2021, para US$ 15,8 bilhões em 2025. E pela projeção de que elas alcancem US$ 24,4 bilhões até 2030.
“Quase todo esse crescimento é impulsionado pelo digital, que vem conquistando participação de mercado de todos os formatos tradicionais, principalmente da TV linear”, frisa o Itaú BBA. “Na prática, quase todo o investimento adicional em publicidade no Brasil nos próximos cinco anos será digital”.
Segundo o banco, a participação da TV nesse bolo deve cair de cerca de 33%, em 2021, para 20% até 2030. Na outra ponta, a projeção é de que a fatia dos anúncios digitais saia de quase 50% para 67% nesse intervalo, à medida que os anunciantes sigam acompanhando o público online.
O relatório também mostra que a participação das plataformas de streaming e do YouTube no consumo de vídeo doméstico cresceu de 26%, em 2023, para cerca de 37% em abril deste ano. Enquanto a TV linear caiu de aproximadamente 74% para 63%.
No mês de abril, apenas o YouTube concentrou 21,3% de toda essa audiência. Em outros números, a plataforma tem um alcance de 144 milhões usuários no Brasil, o que representa 78,6% da base de internautas no País.
“Para os anunciantes, isso significa que o público está se concentrando em plataformas digitais cada vez mais financiadas por publicidade e, crucialmente para o esporte, capazes de transmitir eventos ao vivo, simultâneos, e em escala nacional”, afirmam os analistas.
Nesse contexto, o relatório chama a atenção para o fato de que emissoras tradicionais estão tentando avançar nesse campo. O maior exemplo é o grupo Globo, que, por anos, dominou essa arena. E que, em 2025, lançou a Ge TV, seu canal de esportes no YouTube. Hoje, com mais de 17 milhões de inscritos.
Em outra ponta, o Itaú BBA destaca o “fenômeno CazéTV”, canal de esporte no YouTube controlado pela LiveMode, com mais de 31 milhões de inscritos. E que, além da Copa, já garantiu os diretos de transmissão de competições como os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, 100% gratuita para o público.
“Esse modelo torna as emissoras tradicionais irrelevantes nos mercados emergentes. Ao alavancar o engajamento de influenciadores e a narrativa digital em primeiro lugar, a CazéTV conquistou audiências massivas com suporte publicitário”, observa o banco.
Os analistas ressaltam ainda que, com esse formato, o canal alcançou 56 milhões de espectadores durante a Olímpiada de Paris, em 2024. E que esse modelo de transmissão direta representa uma grave ameaça no longo prazo para as redes de televisão regionais tradicionais.
O banco também pontua que a LiveMode ilustra o papel dos operadores de mídia especializados na próxima fase de monetização dos direitos de transmissão. Já que seu modelo combina capacidades como agregação de direitos, produção de conteúdo e distribuição em plataformas próprias ou parceiras.
Para o Itaú BBA, a CazéTV, “joia da coroa” dessa engrenagem, adiciona uma camada de monetização digital e expande a gama de formatos para anunciantes, com um modelo construído em torno de patrocínios, integrações de marcas e campanhas orientadas a resultados.
Relatórios públicos indicam que o canal e o YouTube venderam 11 cotas de patrocínio master para Copa do Mundo, por cerca de R$ 185 milhões cada, o que implica em cerca de R$ 2 bilhões em receita de patrocínio.
Na avaliação dos analistas, 2026 será um ano crucial para a plataforma, que, a partir da Copa, terá uma oportunidade única de demonstrar seu alcance nacional, apelo aos patrocinadores e capacidade de execução em grande escala.
O Itaú BBA observa ainda que eventos esportivos ao vivo são raros e difíceis de replicar, o que é crucial em uma era de avanços da inteligência artificial generativa. E que essa dinâmica deve seguir atraindo publicidade para as transmissões ao vivo e o crescimento da publicidade esportiva no streaming.
Direitos de transmissão
Além da tecnologia e da mudança dos hábitos de consumo, o relatório também abre espaço para um cenário de transformação estrutural não menos relevante no campo dos direitos de transmissão do futebol no Brasil.
Nessa seara, o banco observa que o valor total dos direitos da modalidade no País cresceu de R$ 2,6 bilhões, em 2019, para R$ 5,4 bilhões em 2025. A cifra ainda está distante de valores como Premier League, com € 1,97 bilhão, e a LaLiga, com € 990 milhões.
Apesar dessa diferença, os analistas entendem que a formação dos blocos comerciais Libra e Futebol Forte União foram um fator-chave para esse crescimento. Bem como mudanças regulatórias como a Lei do Mandante e a Lei da SAF, que abriu as portas para o capital institucional e uma visão mais orientada a resultados financeiros.
A criação dos blocos comerciais, por sua vez, abriu caminho para novas plataformas, como Amazon Prime Video, Record e o próprio YouTube, o que desbloqueou melhores tendências de monetizações no setor.
Apesar desse avanço, o relatório mostra que o futebol brasileiro ainda deixa muito dinheiro na mesa. Para efeito de comparação, o mercado de direitos esportivos no Brasil representa apenas 0,043% do PIB, o menor percentual entre os principais mercados globais. Nos Estados Unidos, esse índice é de 0,099%.
Para mapear o tamanho desse “dinheiro deixado na mesa”, o Itaú BBA traçou simulações do mercado endereçável do setor no País. Como resultado essas projeções apontam para um montante de R$ 7,4 bilhões a R$ 12,4 bilhões, contra os R$ 5,4 bilhões atuais.
Na direção para destravar essas cifras, os analistas destacam que a criação de uma liga única de futebol é um fator crucial. Assim como a profissionalização das vendas de direitos de mídia esportiva no mercado local.
“Uma estrutura mais unificada poderia criar um pacote de direitos maior e mais transparente. Isso poderia potencialmente melhorar o poder de negociação e apoiar um ambiente de licitação mais competitivo para os direitos de mídia do futebol”, afirmam os analistas.




