A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na última quarta-feira (17), de uma reunião da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística (CTLog) do Ministério da Agricultura e Pecuária para discutir os principais desafios no escoamento da produção agropecuária brasileira.
Na abertura do encontro, o presidente da CTLog e da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, Mário Borba, destacou a importância da integração entre entidades para avançar em soluções estratégicas que melhorem a logística nacional e facilitem o transporte da safra.
Durante a reunião, foram apresentadas estimativas para a safra 2025/26. A produção brasileira de grãos deve alcançar 358,6 milhões de toneladas, com destaque para a soja, estimada em 180,3 milhões de toneladas, e o milho, com previsão de 140,5 milhões de toneladas, configurando a segunda maior safra da história.
Leia também no Agrimídia:
O modal hidroviário também esteve em pauta. Representantes do governo detalharam ações para garantir a navegabilidade em importantes corredores logísticos, incluindo dragagens nos rios Madeira, Amazonas, Solimões e Tapajós, além do derrocamento do Pedral do Lourenço, no Pará. As medidas buscam ampliar o uso das hidrovias e aumentar a eficiência do transporte.
Outro ponto discutido foi a necessidade de investimentos e maior previsibilidade para o setor, especialmente diante da possível ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre. A proposta é antecipar o planejamento de ações e concessões, com participação de diferentes órgãos e maior envolvimento da iniciativa privada.
Transporte Rodoviário
No transporte rodoviário, que responde por cerca de 60% do escoamento da produção agropecuária, foram apresentados dados sobre as condições da malha federal. Dos mais de 55 mil quilômetros de rodovias, 74,7% estão em boas condições, enquanto 10,8% apresentam վիճações classificadas como ruins ou péssimas.
Os principais gargalos estão concentrados em regiões estratégicas, como o Arco Norte e a Transamazônica. A BR-230 possui 953 quilômetros em condições inadequadas, enquanto a BR-163 tem trechos comprometidos que impactam diretamente o fluxo da produção.
Para enfrentar esses desafios, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que mantém uma carteira de 223 obras em andamento, com investimentos que somam R$ 29,28 bilhões.
A reunião também destacou o papel da tecnologia no monitoramento logístico. Ferramentas desenvolvidas pelo Observatório de Infraestrutura de Transportes permitem acompanhar, em tempo quase real, as condições dos corredores logísticos e prever a formação de filas com antecedência.
Entre os estudos apresentados está o chamado “custo silencioso da rodovia”, que estima em mais de R$ 1,5 bilhão os gastos adicionais decorrentes do uso do transporte rodoviário em trajetos onde alternativas ferroviárias poderiam ser utilizadas.
O encontro incluiu ainda discussões sobre concessões rodoviárias, movimentação portuária e modelos de gestão, reforçando a necessidade de modernização da infraestrutura para garantir maior eficiência no escoamento da produção agropecuária brasileira.
Fonte: CNA, com edição Agrimídia




