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Beaune, a “pequena grande” capital dos vinhos da Borgonha

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A Borgonha é uma região vitivinícola francesa que, apesar de representar apenas 4% das vinhas do país, concentra 15% do valor das exportações de vinho.

A “Route des Grands Crus”, criada em 1937, é a mais antiga Rota do Vinho da França, atravessando 60 quilômetros de vinhedos renomados, como o Romanée-Conti.

A região é famosa por seus “climats”, parcelas de vinhedos com características únicas, reconhecidas como patrimônio mundial pela Unesco.

Beaune, a capital dos vinhos da Borgonha, é um destino de enoturismo de alto padrão, com 24 hotéis de luxo e atrações como o Hospices de Beaune, que recebe 459 mil visitantes anuais.

A tradição borgonhesa se reflete na gastronomia local, com pratos como boeuf bourguignon e escargots à la bourguignonne, além da famosa mostarda de Dijon.

A exclusividade e a valorização das singularidades locais são o que tornam a Borgonha um destino cobiçado.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Beaune – Nenhuma região traduz tão bem a excelência da vitivinicultura francesa quanto a Borgonha. Em seus 29 mil hectares de vinhedos, nascem alguns dos rótulos mais celebrados do mundo — símbolos de um savoir-faire milenar que transformou o vinho em patrimônio da cultura nacional e objeto de desejo global.

Embora represente apenas 4% das vinhas do país, a Borgonha concentra 15% do valor total das exportações de vinho. Para se ter ideia, Bordeaux ocupa 13% da área de videiras e produz cerca de cinco vezes mais; ainda assim, tem vantagem de apenas três pontos percentuais nas vendas internacionais.

Mais do que performance financeira, a Borgonha é sinônimo de exclusividade — um dos destinos mais cobiçados do enoturismo premium.

Durante muito tempo, a proximidade com Paris e Lyon, conectadas pelo trem de alta velocidade, fez da região um passeio de bate-volta. Hoje, porém, na busca por experiências menos aceleradas, mais autênticas e imersivas, os viajantes têm prolongado a estadia.

No novo cenário, a charmosa Beaune se firma como porta de entrada para a Borgonha, combinando alta hotelaria, gastronomia sofisticada e fácil acesso aos vinhedos.

Com apenas 20 mil habitantes, a cidade concentra em sua região metropolitana 24 hotéis classificados como de luxo. Considerando todas as modalidades de hospedagem, são cerca de 15 mil leitos.

Enquanto isso, Dijon, sede administrativa da Borgonha e dona de uma população 13 vezes maior, dispõe de apenas 16 mil leitos.

Considerada a capital dos vinhos borgonheses, Beaune atrai um número crescente de visitantes internacionais — e, entre eles, os brasileiros já figuram no top ten das nacionalidades mais presentes na região.

A “Champs-Élysées” da Borgonha

Conta muito a favor de Beaune sua localização privilegiada — no coração da Route des Grands Crus.

Criada em 1937, a mais antiga rota do vinho da França é conhecida como a “Champs-Élysées da Borgonha”. Entre Dijon e Santenay, seus cerca de 60 quilômetros atravessam alguns dos terroirs mais reverenciados do planeta — a maioria de chardonnay e pinot noir, as castas predominantes da região.

Feito às vezes de carro, às vezes de bicicleta, às vezes de forma híbrida, o percurso cria uma espécie de barreira natural contra o turismo de massa. Suas estradas estreitas e o traçado entre vilarejos históricos limitam a circulação de grandes grupos e veículos maiores.

O Château de Pommard é um elegante domínio do século XVIII que, além das visitas a seus vinhedos, oferece degustações dos seus apreciados Premiers Crus e promove cursos de enologia (Foto: chateaudepommard.com)

No vilarejo de Saint-Aubin, a Maison Prosper Maufoux dispõe de quatro quartos em meio às plantações de chardonnay e pinot noir. As diárias partem de € 400 (Foto: prosper-maufoux.com)

Fundada em 1720, no centro de Beaune, a Maison Champy ajudou a estruturar o comércio local ao selecionar, elaborar e comercializar vinhos de diferentes parcelas (Foto: maisonchampy.com)

Mesmo endereços mais mais recentes seguem orbitando esse universo, como a livraria Athenaeum, referência internacional em publicações dedicadas ao vinho

O museu interativo Cité des climats et vins de Bourgogne é uma das atrações mais visitadas de Beaune. O ingresso, claro, inclui uma degustação de vinhos borgonheses (Foto: citeclimatsvins-bourgogne.com)

A Borgonha tem 29 mil hectares de vinhedos

Para entender o fascínio que o lugar exerce sobre os viajantes, é preciso compreender o que torna os terroirs da Borgonha tão especiais.

A região forma um mosaico de parcelas de vinhedos cuja origem remonta à Idade Média, os chamados climats. Durante os séculos VI e XVIII, monges beneditinos e cistercienses observaram e catalogaram as particularidades de cada microfração de terra para identificar aquelas que produziam os melhores vinhos.

Eles levavam em conta uma combinação meticulosa de fatores geológicos, topográficos e climáticos. O nível de precisão é tanto que dois vinhedos colados um ao outro podem ter climats diferentes — resultando, portanto, em vinhos distintos.

Microvinhedos, grandes vinhos

As linhas de leitura do território, estabelecidas pelos religiosos, sobreviveram a transformações políticas profundas. As leis agrárias da Revolução Francesa e, depois, o Código Napoleônico, aboliram as grandes propriedades, mas não conseguiram apagar a cartografia invisível dos religiosos medievais.

Por isso, muitos vinhedos têm menos de um hectare. O mítico Romanée-Conti, por exemplo, mal chega a dois campos e meio de futebol. Mas ali está a origem do vinho mais caro do mundo — em 2018, uma garrafa da safra de 1945 foi leiloada por US$ 812 mil.

O trabalho dos monges foi tão perfeito que praticamente todas as demarcações estabelecidas por eles continuam válidas até hoje. Não à toa, em 2015, a Unesco reconheceu os Climats du Vignoble de Bourgogne como patrimônio mundial na categoria “paisagem cultural”.

Os climats são tão importantes que, na Borgonha, o sistema de classificação dos vinhos desloca o foco do produtor para o vinhedo — como se a autoria estivesse nos fatores naturais, e não na mão humana.

“Cerca de 90% dos turistas que chegam a mim hoje querem conhecer a Route des Grands Crus”, diz Aline Mendonça, em entrevista ao  NeoFeed. Há 15 anos criando roteiros personalizados.

O trajeto inclui mais do que visitas aos vinhedos. O Château de Pommard, por exemplo, oferece degustações e cursos de enologia, enquanto a Maison Prosper Maufoux, no vilarejo de Saint-Aubin, dispõe de hospedagem exclusiva em meio às videiras.

O fluxo de turistas na rota se concentra entre abril e outubro, com destaque para setembro. No início do outono europeu, algumas propriedades permitem que os visitantes participem da vindima.

O poder das sutilezas

Formada na Antiguidade, Beaune prosperou durante o domínio romano graças à criação de gado e, especialmente, à vitivinicultura. Dois mil anos depois, o vinho permanece no centro de sua identidade.

O ponto turístico mais célebre é o Hospices de Beaune. De 1443 a 1960, o lugar funcionou como um complexo hospitalar. Ao longo do tempo, a instituição se tornou proprietária de vinhedos doados por benfeitores para financiar as atividades beneficentes da instituição.

Hoje transformado em museu, o Hospices recebe 459 mil visitantes anuais. Muitos deles atraídos pelo leilão do terceiro final de semana de novembro. O evento reúne negociantes de todo o mundo, interessados na bebida produzida pelo complexo. No ano passado, um comprador chinês levou o lote principal por € 400 mil — um barril de 228 litros do cultuado Pommard Premier Cru.

A tradição ocupa um lugar central em Beaune. Ela se expressa em instituições históricas como a Maison Bouchard Aîné & Fils, fundada em 1750, e a Maison Champy, criada em 1720.

Em uma região onde os vinhedos são tão divididos, essas casas ajudaram a estruturar o comércio local ao selecionar, elaborar e comercializar vinhos de diferentes parcelas.

A herança borgonhesa também se manifesta à mesa. O boeuf bourguignon surgiu do costume camponês de cozinhar cortes bovinos em vinho tinto, enquanto os escargots à la bourguignonne transformaram uma iguaria da Antiguidade em emblema da culinária francesa.

Nessa área, a Moutarderie Fallot merece destaque. Em atividade desde 1840, mantida pela família do fundador, é um dos últimos fabricantes independentes da tradicional mostarda de Dijon.



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