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Herdeiro da Ray-Ban escala disputa pelo controle de império familiar de € 40 bilhões

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Bloomberg — Leonardo Maria Del Vecchio, herdeiro do império Ray-Ban construído por seu falecido pai, desafiou publicamente a holding de sua família a apoiar sua compra de € 10 bilhões das participações de dois irmãos, dias antes de uma reunião crucial de acionistas em 30 de junho.

Numa carta aberta publicada no site do jornal online Quotidiano Nazionale, do qual é dono, o empresário de 31 anos acusou na sexta-feira o conselho da Delfin Sarl de não fornecer explicações claras para sua posição em mudança sobre uma transação proposta que o tornaria o maior acionista do veículo de investimento sediado em Luxemburgo.

“A questão deixou de ser financeira e se tornou uma questão de governança”, escreveu Del Vecchio, questionando por que preocupações sobre o negócio surgiram apenas depois que os acionistas já haviam votado a favor de elementos-chave da transação e após declarações públicas que descreviam a reorganização como um movimento estabilizador.

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Sua intervenção intensifica uma batalha pelo controle de uma das maiores fortunas da Europa e destaca os desafios de levar a proposta de Del Vecchio à linha de chegada em meio à complexa estrutura de governança montada por Leonardo Del Vecchio, o fundador da Luxottica cujo império se tornou a EssilorLuxottica, antes de sua morte em 2022.

Seu plano visa em parte amenizar divisões dentro da família, que tem tido dificuldade de chegar a um consenso sobre decisões importantes.

Leia também: Family office dos Safra tem novo CEO após alta de 78% em ativos

Del Vecchio tenta comprar as participações combinadas de 25% detidas por seus irmãos Luca e Paola na Delfin, uma transação que elevaria sua participação para 37,5% e o tornaria de longe o maior acionista, potencialmente encerrando anos de incerteza em torno da sucessão do império da família.

Mas o negócio depende de garantir um complexo pacote de financiamento de € 10 bilhões com os bancos UniCredit, BNP Paribas e Crédit Agricole, um dos maiores financiamentos de aquisição já buscados por um indivíduo na Europa, disseram pessoas familiarizadas com o assunto ouvidos pela Bloomberg News.

Del Vecchio disse que os credores participantes buscaram recentemente maior segurança sobre dividendos futuros, estabilidade de capital e a estratégia de longo prazo da Delfin conforme as discussões de financiamento avançavam.

Embora esses pedidos sejam legítimos, o conselho da Delfin não conseguiu adotar uma posição unificada e transparente sobre como abordá-los, disse ele na carta.

Os comentários acirram as questões sobre a governança na Delfin, que controla uma grande participação na EssilorLuxottica e detém grandes investimentos em algumas das instituições financeiras mais estrategicamente importantes da Itália, incluindo Banca Monte dei Paschi di Siena, Assicurazioni Generali e UniCredit.

Com um valor patrimonial líquido que ultrapassa € 40 bilhões, a Delfin se tornou um player influente no cenário corporativo italiano, frequentemente se vendo no centro de discussões sobre consolidação bancária e negócios do setor financeiro.

Os herdeiros se reunirão no fim do mês para a assembleia anual da holding para aprovar resultados e distribuições.

“A reunião de 30 de junho não será sobre dividendos, balanço patrimonial ou o fechamento”, escreveu Del Vecchio. “Ela tratará de algo mais profundo: a própria natureza e o futuro da Delfin.”

Veja mais em bloomberg.com

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