Coceira frequente, excesso de cera e o hábito de balançar a cabeça repetidamente podem parecer situações comuns para muitos tutores, mas também podem indicar doenças que afetam a saúde auditiva de cães e gatos.
Entre as enfermidades mais recorrentes estão as otites e a sarna otodécica, condições que exigem atenção rápida para evitar complicações mais sérias.
A preocupação com o tema é reforçada por dados do PetCenso Saúde da Petlove, levantamento realizado com mais de 1 milhão de animais.
O estudo aponta que a análise citológica otológica, exame utilizado para identificar bactérias, fungos, parasitas e processos inflamatórios, é o procedimento complexo mais solicitado para cães e ocupa a sexta posição entre os gatos.
Segundo o médico-veterinário Pedro Risolia, muitos casos estão relacionados à combinação de fatores ambientais e falhas nos cuidados preventivos. “Otites bacterianas são ocasionadas por bactérias oportunistas na cavidade auricular, que encontram um ambiente propício para proliferação, decorrentes, normalmente, pelo acúmulo de umidade, podendo ou não estar associado a um algum problema crônico ou falta de prevenção adequada“, explica o profissional.
Raças mais vulneráveis
Embora qualquer animal possa desenvolver problemas auditivos, algumas raças apresentam predisposição maior. Cães com orelhas longas e caídas, como Cocker Spaniel, Beagle, Golden Retriever e Basset Hound, costumam enfrentar mais episódios de inflamação porque a anatomia dificulta a ventilação do canal auditivo, favorecendo a multiplicação de fungos e bactérias.
Sinais que merecem atenção
Em casa, os primeiros indícios costumam surgir por meio de alterações no comportamento. Coçar as orelhas constantemente, apresentar vermelhidão, produzir grande quantidade de cera, exalar odor diferente e esfregar a cabeça em móveis ou no chão são alguns dos principais alertas.
O especialista destaca que nem sempre os sintomas são evidentes.
“Alguns problemas, como a sarna otodécica, podem ser completamente assintomáticos, evoluindo de forma silenciosa. Por isso, o diagnóstico precoce é o que realmente faz a diferença, sempre procure manter uma frequência do pet ao veterinário. Quando não tratada corretamente, a doença pode deixar de ser uma simples otite externa e atingir o ouvido interno, colocando em risco a vida do pet com abcessos no sistema nervoso, perda de audição e até meningite”, aponta Risolia.
Consultas regulares fazem diferença
A avaliação veterinária periódica é considerada uma das principais ferramentas para evitar que pequenas alterações evoluam para quadros mais graves. O acompanhamento permite identificar precocemente a presença de ácaros, fungos e inflamações antes que provoquem dor ou comprometam estruturas mais profundas do ouvido.
“Estimativas da Petlove apontam que tutores que possuem planos de saúde levam seus pets a exames e procedimentos veterinários em uma frequência três vezes maior do que aqueles que não contam com o benefício”, revela o profissional.
Cuidados simples ajudam na prevenção
Além das consultas de rotina, algumas medidas podem reduzir significativamente os riscos. Entre elas estão a proteção das orelhas durante o banho para impedir a entrada de água e a higienização adequada apenas quando houver necessidade ou conforme orientação veterinária. O excesso de limpeza também pode ser prejudicial, já que remove a proteção natural do canal auditivo.
Com atenção aos sinais e cuidados preventivos, é possível preservar a saúde auditiva dos pets e evitar complicações que podem comprometer não apenas a audição, mas também a qualidade de vida dos animais.




