Na visão de Renato Buranello, um dos advogados mais respeitados do País em direito rural, um projeto de lei para renegociar as dívidas do agronegócio neste momento é inevitável — mas não é solução completa para os problemas do setor.
“É inevitável. Quero que um dia não precise mais desse tipo de coisa, mas essa crise vai exigir participação do governo. Isso vai ter um custo para o governo”, afirmou Buranello ao The AgriBiz, após sua participação no Harvesting Innovation, evento promovido pela SP Ventures nesta segunda-feira, em São Paulo.
Para o advogado, a questão agora é de outra ordem: definir a abrangência do projeto de lei de renegociação de dívidas. “Ainda não vi avanços, mas sei que a discussão está nesse ponto. Olhar o pequeno, o médio e o grande, elevando a barra dos requisitos para deixar a adesão mais restrita”, frisou.
O PL é um paliativo, na visão do advogado, para uma situação que demanda soluções mais complexas. Especialmente dois pontos: governança e seguro rural. Os temas, inclusive, são alvo de um grupo de trabalho do qual o advogado participa, na Fundação Getúlio Vargas.
“Cabe ao governo estabelecer uma política de seguro eficiente. Não pode ser que um País deste tamanho tenha regiões com 5% da área coberta. É muito baixo. Vamos focar mais no seguro, um pouco menos no crédito e dar mais orientações para melhorar a gestão de risco do produtor”, afirmou Buranello, que é sócio do VBSO Advogados.




