A geografia do comércio de proteína animal na América do Sul ganhou um novo componente competitivo. A Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), durante sua 93ª Sessão Geral em Paris, concedeu à Bolívia o status oficial de zona livre de Peste Suína Clássica (PSC) sem vacinação para o departamento de Santa Cruz, o coração da suinocultura daquele país.
O certificado técnico, estruturado com base nas exigências do Código Sanitário para Animais Terrestres, valida os controles sanitários locais. Para manter a certificação internacional, o governo boliviano precisará sustentar um programa de vigilância epidemiológica ativa na fronteira e reportar anualmente o status do plantel às autoridades globais.
O avanço produtivo da suinocultura boliviana
Embora o país vizinho ainda retenha uma fatia tímida no market share global de exportação de carne suína, o selo sanitário funciona como um ativo estratégico para atrever investimentos privados na modernização de granjas e plantas frigoríficas comerciais.
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A conquista acompanha uma reestruturação produtiva que ocorre na Bolívia há duas décadas, impulsionada pelo avanço do consumo doméstico e tecnificação do campo.
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Evolução histórica: A produção nacional de carne suína saltou de 76.380 toneladas em 2007 para 135.959 toneladas no fechamento do balanço de 2024 — um crescimento consolidado de 78%.
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Recuperação pós-pandemia: Após um recuo momentâneo em 2020 devido aos gargalos logísticos da Covid-19, o setor acelerou o passo. Apenas entre 2022 e 2024, a taxa de expansão interna foi de 10,7%.
Santa Cruz consolida hegemonia e mira exportação
Com o novo status de área livre de PSC, Santa Cruz deve distanciar-se ainda mais das outras regiões produtoras. O departamento responde sozinho por 40% de toda a carne suína gerada em território boliviano.
Atrás da liderança de Santa Cruz, o departamento de La Paz desponta como a região de crescimento mais veloz, puxado pela demanda dos centros urbanos, seguido por Chuquisaca. Juntos, os três principais estados suícolas concentram 75% da oferta nacional de grangeria.
O reconhecimento da WOAH é avaliado por analistas de mercado como o passaporte que faltava para a Bolívia iniciar negociações bilaterais de abertura de mercado com players da Ásia e da própria América Latina, elevando o patamar de exigência técnica e competitividade regional de grãos e carnes no bloco do Mercosul.
Fonte : Pig Progress




