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Brasil perde 700 mil toneladas de milho para lagarta-do-cartucho

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Na safrinha recém-colhida, o Brasil perdeu pelo menos 700 mil toneladas de milho para a lagarta-do-cartucho. A estimativa foi divulgada nesta tarde pela Agroconsult, que notou um aumento expressivo da praga nas lavouras em relação ao ano passado.

A conta considera apenas o que os produtores deixaram de produzir — olhando para os danos nas espigas. Levando em conta também o investimento do produtor, a conta do prejuízo fica ainda maior, segundo André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult.

Embora as perdas diretas ocasionadas pela lagarta representem menos de 1% da safrinha, que totalizou 115,7 milhões de toneladas, segundo a Agroconsult, o volume comprometido é um dos indicadores do aumento do impacto da praga no campo.

A Agroconsult estimou quanto a presença da lagarta-do-cartuxo aumentou ao longo da última safra. Na safrinha 2024/25, 44% das lavouras no oeste do Mato Grosso tinham a presença da praga, número que passou para 56% na safrinha 2025/26. No sudeste do mesmo estado, os percentuais passaram de 35% para 59% nos mesmos intervalos.

Em Goiás, o incremento foi ainda mais expressivo: 35% das lavouras tinham lagarta em 2024/25, percentual que alcançou 74% das áreas em 2025/26.

“Esse aumento acontece dentro de um ambiente no qual o produtor tem feito até quatro aplicações para controle de lagarta, vem investindo em materiais genéticos resistentes. Mesmo assim [esse aumento] é constante e reforça muito a questão de manejo integrado”, afirmou Debastiani a jornalistas nesta quinta-feira, durante apresentação dos resultados da etapa milho do Rally da Safra.

Para ele, esse aumento é o resultado de uma conjuntura de fatores. A questão climática é um deles, levando à insistência maior de algumas pragas, assim como a necessidade de ajustes no manejo.

“Ficou bem claro que, mesmo usando a biotecnologia, a gente precisa fazer uso dos herbicidas. Por si só, a biotecnologia não é 100% eficiente, a eficiência vem da combinação de manejos. Não existe bala de prata”, frisou Debastiani.

Margens apertadas

Na safrinha 2025/26, o Brasil produziu 115,8 milhões de toneladas de milho — queda de mais de 7% em relação à safrinha do ano passado. Ainda assim, a produção ficou acima das expectativas iniciais da Agroconsult, refletindo um desempenho melhor de lavouras no Mato Grosso.

Apesar da queda na produção ter sido moderada em relação ao ano passado, o produtor rural ficou bem mais apertado. O custo de produção da safrinha deste ano foi cerca de 6% maior do que o da safrinha anterior, segundo a Agroconsult.

“No médio norte do Mato Grosso, a redução de margem foi, em termos gerais, de 20% em relação à safra anterior”, explicou Debastiani, citando os preços ainda pressionados da commodity e o patamar atual de juros.

A região usada como exemplo pelo sócio da Agroconsult foi, neste ano, uma das poucas a ter uma produtividade superior à do ano passado — o que ajuda a entender o tamanho do buraco para o produtor rural.

Outras regiões, como Goiás e Paraná, tiveram queda expressiva também na produtividade, o que deve encolher ainda mais a renda para esses produtores.

“No Paraná, essa queda deve ser em torno de 40%”, explicou Adriano Loturco, sócio e gerente de consultoria para o mercado de grãos da Agroconsult.



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