O alto potencial para negócios de irrigação no Brasil atraiu uma tradicional multinacional do segmento. A austríaca Komet Irrigation inaugura nesta sexta-feira, em Paulínia (SP), o seu primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento fora da Áustria — uma evidência de que a empresa aposta no País para alavancar o crescimento nos próximos anos.
Além da expectativa de um aumento na demanda por equipamentos de irrigação, a escolha do Brasil para o novo centro de P&D está baseada na ampla oferta de profissionais qualificados e no perfil do produtor brasileiro, aberto à inovação, segundo Andree Groos, CEO da Komet.
“O agricultor brasileiro é muito bem-preparado e está constantemente buscando melhorias. Eles realmente valorizam o que fazemos, porque não somos os mais baratos. Investimos muito em tecnologia e otimização, e percebemos que o produtor brasileiro é um dos que mais reconhecem esse valor”, disse Groos ao The AgriBiz.
O nível de exigência do produtor brasileiro também é superior à média, conta Groos. Segundo ele, os agricultores exigem cada vez mais informações e dados antes de tomar a sua decisão de investimento, demandando mais pesquisas da companhia.
“Eles realmente querem provas baseadas em dados”, afirma o CEO. “Temos agricultores que nos desafiam constantemente a aprimorar nossos produtos. Por isso, decidimos que o Brasil era um bom lugar para construir esse laboratório. Queremos estar mais perto dos clientes que impulsionam o nosso desenvolvimento.”
Especialista em componentes de alta performance para irrigação mecanizada — o que possibilita economia de água e de energia —, a Komet vê o Brasil como o principal driver de sua expansão.
O objetivo da empresa é expandir sua área irrigada global em um milhão de hectares nos próximos cinco anos, sendo 50% desse crescimento no Brasil. Atualmente, os componentes da empresa estão em cinco milhões de hectares em todo o mundo.
“Nosso maior mercado ainda é a América do Norte. É o principal destino das nossas exportações, mas o Brasil vem logo em seguida. E, se continuar crescendo nesse ritmo, o deverá ultrapassar a América do Norte muito em breve”, disse o executivo.

Aqui, a irrigação avança mais rapidamente nos estados da Bahia e de Mato Grosso, principalmente em áreas de soja e de algodão, segundo ele. “Nessas regiões, existe um benefício adicional: quando se passa do cultivo de sequeiro para a irrigação, é possível acrescentar uma safra porque o ciclo de crescimento é encurtado. Esse, por si só, já é um excelente business case.”
Atualmente, o País possui 40 mil pivôs centrais instalados. O estado americano de Nebraska, sozinho, tem 70 mil. Outro dado que ilustra o potencial de crescimento: hoje, 2,4 milhões de hectares são irrigados por pivôs centrais no Brasil, enquanto o potencial técnico estimado ultrapassa 30 milhões de hectares, de acordo com informações da empresa.
Nova fase
Com um investimento de R$ 2 milhões, o centro de P&D da Komet em Paulínia deve exportar tecnologia e dados para outros lugares do mundo — a empresa vende para cerca de 80 países. A produção, no entanto, continuará concentrada em Lienz, na Áustria.
Groos conta que a inauguração do hub também marca uma mudança relevante na história da empresa, que pretende passar a entregar também soluções digitais de irrigação.
“Hoje somos basicamente fabricantes em larga escala de componentes — produtos relativamente simples. A ideia é torná-los mais inteligentes no futuro. Estamos utilizando o conhecimento acumulado no laboratório para desenvolver um verdadeiro centro de pesquisa e desenvolvimento, avançando para áreas de software e eletrônica”, diz o CEO.
Com a estrutura, o primeiro centro de engenharia de aplicação de aspersores do mundo, a Komet pretende medir e aperfeiçoar a forma como a água é aplicada em sistemas de irrigação mecanizada. Segundo a Komet, o aspersor representa apenas 6% do custo total de um pivô central, mas é responsável por 100% da eficiência na entrega da água ao solo.
Fundo de impacto
Empresa familiar fundada em 1952 no norte da Itália, a Komet foi transferida para a Áustria no início dos anos 2000. Em 2022, os filhos do fundador, Roland Drexel, venderam o controle majoritário para o fundo de impacto Trill Impact, que tem 1,4 bilhão de euros em ativos sob gestão.
“Nosso trabalho está ligado à economia de água, à eficiência energética e à segurança alimentar global”, explica Gross.
No ano passado, segundo o executivo, a tecnologia da Komet contribuiu com a economia de 734 bilhões de litros de água no mundo, o equivalente ao consumo anual de uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes.
A economia de água é possibilitada pela tecnologia dos componentes dos pivôs, que garantem que a água seja entregue com o tamanho e a energia ideais para ser absorvida pela planta, prevenindo perdas por evaporação ou escoamento superficial. Os componentes são projetados para operar em pressões reduzidas, o que reduz o consumo de energia.
Segundo a empresa, essa eficiência contribui para que o investimento seja recuperado entre três e quatro anos, considerando um sistema padrão para lavouras de soja e algodão.




