Bloomberg — Estados Unidos e Irã trocaram ataques à infraestrutura militar um do outro neste domingo (28), sinal de que não houve trégua nos dias de escalada que pressionam o cessar-fogo que sustenta as negociações de paz.
No mais recente bombardeio, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã disse que lançou mísseis e drones contra a Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e a base naval da 5ª Frota, em Porto Salman, no Bahrein.
O Kuwait afirmou que interceptou dois mísseis e que não houve danos materiais nem feridos. O Bahrein informou que um prédio residencial foi atingido, mas disse que não houve mortes.
Os ataques de retaliação começaram na quinta-feira (25), quando a República Islâmica atingiu um navio porta-contêineres, o que levou Washington a atacar o Irã no dia seguinte. Os EUA atacaram novamente na madrugada de sábado, depois que Teerã atingiu uma embarcação que transportava petróleo do Catar. Ambos os lados culparam o outro pela violação do cessar-fogo.
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A violência elevou as tensões na esteira do acordo de paz provisório entre EUA e Irã firmado neste mês e ameaça atrasar o progresso na retomada do tráfego pelo estratégico Estreito de Ormuz aos níveis anteriores à guerra.
As negociações sobre os detalhes de um memorando de entendimento para encerrar o conflito deveriam ser retomadas nesta semana.
“O Irã teve a chance de honrar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não fazê-lo”, disse o Comando Central das Forças Armadas dos EUA em comunicado publicado no X no sábado. “As travessias de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz continuam. As forças americanas permanecem vigilantes, letais e prontas.”
Os EUA afirmaram que atingiram infraestrutura de vigilância militar iraniana, sistemas de comunicação, locais de defesa antiaérea, depósitos de drones e capacidade de lançamento de minas.
“Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a completar militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso”, disse o presidente Donald Trump em uma postagem no Truth Social após os últimos ataques ao Irã.
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O Joint Maritime Information Center elevou no sábado a ameaça à segurança no Estreito de Ormuz para “substancial” depois que um petroleiro foi atingido, e publicou uma área de alerta para possíveis minas que abrange grande parte da rota de trânsito habitual.
O centro também informou que a rota de Omã recomendada pelas marinhas ocidentais foi ampliada para permitir que navios transitem nos dois sentidos simultaneamente.
Várias embarcações cruzavam o estreito no início de domingo pela rota designada de Omã e pela rota iraniana.
Um oficial americano não identificado disse à CNN, após os ataques dos EUA, que eles não representavam, por ora, um retorno a operações militares de grande escala.
Teerã tem atacado repetidamente países do Golfo que abrigam bases militares americanas e milhares de soldados desde que os EUA e Israel lançaram a guerra em 28 de fevereiro.
A Guarda Revolucionária Iraniana disse no domingo que, com base em um acordo agora conhecido como Memorando de Entendimento de Islamabad, “os arranjos de controle de tráfego no Estreito de Ormuz estão com o Irã e, a partir de agora, navios infratores serão tratados com mais rigor do que antes”, informou a Press TV em uma postagem no X.
Desde a assinatura do cessar-fogo de 60 dias, Trump disse que retomaria a ação militar contra o Irã se o país violasse os termos do acordo — que prevê o fluxo de embarcações pelo estreito e negociações sobre seu programa nuclear em troca de alívio de sanções.
Os dois lados continuam a disputar disposições importantes, inclusive se o Irã imporá pedágios ou outros custos a navios que queiram atravessar Ormuz. Omã disse a autoridades europeias que as embarcações podem acabar tendo que pagar algumas taxas, conforme noticiou a Bloomberg anteriormente.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, visitou o vizinho Iraque no domingo e disse que discutiu o acordo com os EUA com autoridades em Bagdá.
O Irã é o único responsável pela retomada do tráfego em Ormuz, e qualquer interferência corre o risco de escalada, disse ele em uma coletiva de imprensa televisionada ao lado de seu colega iraquiano.
A decisão de Trump de atacar mostra que ele está disposto a usar força militar para manter a liberdade de navegação no estreito.
Os ataques do Irã, no entanto, mostraram que o país buscará manter o controle da via navegável, que permanece em grande parte fechada desde pouco depois do início da guerra.
O Estreito de Ormuz, por onde antes transitava um quinto do petróleo bruto e gás natural liquefeito do mundo, tornou-se o maior ponto de alavancagem de Teerã depois que seu quase fechamento desestabilizou a economia global.
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