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Por Giseli Cabrini
A Copa do Mundo FIFA 2026 não é apenas um evento esportivo — é um catalisador de consumo que está forçando o varejo alimentar a acelerar sua transformação digital. Com projeções de movimentar US$ 30,5 bilhões em âmbito global e R$ 4,32 bilhões só no varejo brasileiro, o torneio expõe, na prática, as lacunas operacionais que custam receita e coloca em evidência as tecnologias capazes de eliminá-las.
É o que revela o estudo “O jogo da eficiência: o que acontece por trás da Copa 2026”, desenvolvido pela Oxford Economics em colaboração com a Zebra Technologies, que ouviu mais de 1.000 tomadores de decisão em 12 países, incluindo o Brasil.
O tamanho do impacto no varejo alimentar
Os números ajudam a dimensionar a oportunidade. O setor alimentar deve responder por quase 70% de todo o faturamento gerado pelo evento no Brasil. Segundo o levantamento, 60% da população adulta brasileira pretende comprar produtos ou serviços relacionados à Copa, e 71% afirmam que vão aumentar o consumo por conta do Mundial. Antes mesmo do início do torneio, 5,6 milhões de televisores já haviam sido vendidos no País.
O comportamento do consumidor, no entanto, não é linear. Os picos de demanda estão diretamente atrelados ao desempenho esportivo: durante os jogos, as transações crescem mais de 254%, com destaque para os canais omnicanal e on-line. Velocidade e conveniência deixam de ser diferenciais e passam a ser exigências.
Operações inteligentes como resposta
Diante desse cenário, a pesquisa aponta que a combinação entre inteligência artificial, automação e capacitação humana — o que o estudo chama de “operações inteligentes” — é o caminho mais eficiente para transformar o pico de demanda em resultado concreto.
- Nos pontos de venda físicos: os dados são expressivos: varejistas que adotam tecnologia registram funcionários 20% mais produtivos, aumento de 1,8% em receitas e redução de 22% nos custos operacionais. Os focos prioritários são a disponibilidade de produtos (evitar ruptura de estoque), a eliminação de filas, a agilidade omnicanal e a maximização da rentabilidade diante dos custos sazonais.
- Na cadeia logística: os ganhos também são significativos. A adoção de tecnologia nos centros de distribuição amplia a precisão das operações em 23%, eleva a produtividade em 21% e gera aumento de 3,4% nas receitas. Visibilidade de estoque em tempo real, eficiência na última milha e controle de perdas estão entre os principais benefícios mapeados.
Um legado que vai além do futebol
Para o Enterprise Sales Director da Zebra no Brasil, Denis Carvalho, os aprendizados da Copa não devem ficar restritos ao período do torneio. Com outros megaeventos previstos para o Brasil ainda em 2026 — como o Rock In Rio —, o executivo destaca o que deve estar no radar dos varejistas do setor alimentar:
- Preparação antecipada para picos de demanda: grandes eventos têm perfil de consumo parecido — o consumidor impulsivo não quer perder tempo nem encontrar prateleiras vazias.
- Investimento em eficiência operacional: tecnologias que aprimorem reposição de itens, segurança (prevenção a furtos e roubos) e logística são prioritárias.
- Empoderamento do colaborador na loja física: decisões tomadas com base em dados de estoque e atendimento em tempo real fazem diferença no resultado.
- Agilidade no centro de distribuição: facilitar a localização de itens e ganhar velocidade no transporte são os pilares tecnológicos nesse ambiente.
- Integração omnicanal no e-commerce: sistemas integrados com fornecedores e operadores logísticos reduzem fricções e aumentam a competitividade.
O recado do setor é claro: quem usar a Copa como laboratório operacional sairá do torneio com processos mais maduros, equipes mais capacitadas e tecnologia que continuará gerando retorno muito depois do apito final.




