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Min. da Saúde busca governança de dados para avançar em IA

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A secretária de informações e saúde digital do Ministério da Saúde (Sedigi-MS), Ana Estela Haddad, afirmou que a pasta mira usar a inteligência artificial a partir da interoperabilidade de mais conjuntos de dados de saúde para aumentar sua capacidade analítica com curadoria e integridade de dados com governança.

Durante evento organizado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), Haddad conversou com Mobile Time sobre o tratamento de dados na Rede Nacional de Dados e Saúde (RNDS), o lançamento da plataforma SUS Digital e o edital para chamar empresas de tecnologia para um espaço interinstitucional e colaborativo para desenvolver soluções de inteligência artificial, atenção ao paciente e interoperabilidade para o Sistema Único de Saúde (SUS), o que será construído com os setores público, a academia e institutos de pesquisa. 

Batizado como Laboratório Inova SUS Digital, o edital mapeou e habilitou 398 instituições, sendo 284 startups, 64 universidades, 16 institutos federais e 34 outras organizações. Agora o próximo passo são oficinas temáticas e depois editais de compra pública de inovação e contratação focadas nos temas.

Confira a entrevista completa abaixo:

A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) já soma 4,7 bilhões de dados. Como o Ministério está garantindo a qualidade dessas informações? 

Olha, o primeiro grande volume primeiro de dados são próprio do SUS, dados públicos mesmo. Quando um dado novo chega, a RNDS processa essas informações. Por exemplo, nós temos o CADÚnico, que é uma grande base de dados. Então, são grandes bases. Entrou um dado novo, a gente vai checar o nome, o nome da mãe, a data de nascimento, uma série de informações, e só aceitamos se tiver consistência. Quando não tem consistência, rejeitamos o dado. 

Como a limpeza no CadÚnico ajuda no tratamento de dados do SUS? 

No passado, nós tínhamos o número do Cartão Nacional de Saúde (CNS). Se o usuário esquecesse o número do cartão, ao fazer um atendimento, ele receberia um novo número do CNS. Depois de quase um ano de trabalho, a pedido do ministro [da Saúde, Alexandre] Padilha, nós desativamos 100 milhões de números duplicados de CNS. Hoje, nós chegamos ao mesmo número de CNS e de CPF existentes. Em outras palavras, a base agora está bem mais higienizada e isso permite uma integração dos dados, pois quando você tem o CPF como identificador, todos os registros clínicos desse paciente vão acontecer nesse mesmo número. 

Estamos preparando os sistemas que ainda não tinham o CPF como identificador. Eram 40 sistemas e hoje eles estão sendo preparados para que o identificador seja o CPF. A RNDS tem mecanismos rastreáveis de acesso e de registros. Então, nós conseguimos fazer o caminho do dado. Isso também é um aspecto importante para você ir ganhando uma cultura sobre a importância que é fazer os registros para aquelas pessoas que são operadoras dos sistemas. E também temos processos de capacitação através da federalização da RNDS para capacitar toda a equipe de TI – de informática em todo o país – para termos esse aperfeiçoamento do dado e da informação.

Sobre os dados das operadoras privadas de saúde com o RNDS: por que o histórico mais antigo dos pacientes ainda não aparece no sistema, enquanto os dados recentes já estão visíveis? 

Na parceria com a ANS, que é mais recente, nós tínhamos os dados da vacinação com o legado dos últimos 50 anos que já estavam na RNDS. Na ANS, que são os dados dos planos de saúde, a gente começou a receber do fim para o começo. Ou seja, nós começamos a trazer primeiro os dados mais recentes e aos poucos estamos levando os dados mais antigos. Mas nós vamos ter que tomar uma decisão ainda junto com a ANS sobre o recorte que a gente vai fazer. Pensando na carga de dados legada, que recorte a gente vai fazer?  Porque todo dado ocupa espaço. Precisamos pensar qual recorte para trás a gente vai fazer. Isso aí é algo que estamos discutindo.

Como a senhora avalia o avanço do SUS Digital desde o início da gestão em 2023 e quais são as principais projeções para o futuro? 

Avançamos muito em termos não só quantitativos da RNDS, mas também nos modelos informacionais.  Quando começamos em 2023, ano que a Sedigi foi criada, a gente só tinha três modelos informacionais (padronização de dados e linguagens clínicas vitais para a RNDS): conjunto de dados para a vacina da COVID; para os resultados de exames da Covid; e para Monkeypox. Hoje, nós temos pelo menos 20 modelos, como registro de atendimento clínico, registro da regulação assistencial, atestados médicos, sumário de alta, sumário de auto obstetrícia, telessaúde. Agora estamos fazendo os modelos de teleatendimento. Então, nós estamos avançando na interoperabilidade de mais conjuntos de dados de saúde. Isso permite ao ministério aumentar a sua capacidade analítica, cuidar cada vez mais da curadoria e da integridade dos dados. Ter um modelo bem estruturado de governança de dados para poder usar a inteligência artificial com responsabilidade, ética e segurança. São questões que estamos procurando construir, tendo como objetivo maior que o Brasil possa ter a soberania digital.

O que é a nova Plataforma SUS Digital e como se dará a organização e atualização do seu conteúdo? 

Essa plataforma é uma parceria com a BIREME, o centro de gestão da informação ligado à Organização Panamericana da Saúde. Trará toda a gama de ações que integram o programa SUS digital. Mas também traz a perspectiva e o olhar não só dos gestores do Ministério, mas de todo o país. De todos os atores que de alguma maneira participam do desenvolvimento do programa. Nós temos a rede brasileira de telessaúde. São 63 núcleos de telessaúde. Cada um tem uma experiência, tem a sua página. Então, ali vai ter um espaço onde o profissional vai encontrar referência sobre tudo isso. O laboratório em Inova SUS Digital que estamos conversando aqui na Abes.

Nós tivemos mais de 300 empresas, universidades e institutos que foram habilitados e vão compor o laboratório. Então, nós teremos um resumo de cada um, uma entrada para a página de cada um. Será um espaço referencial, ao mesmo tempo a voz do usuário do sistema de saúde, da comunidade indígena, dos trabalhadores de saúde etc. Então é como a saúde digital é percebida e construída em cada território, as experiências práticas e vivas que estão acontecendo nos territórios.

Como ela vai funcionar?

Nós temos claro o processo de curadoria e a BIREME tem muita experiência nisso. A BIREME vai a campo,  organiza os templates para que essas informações sejam construídas. Isso será feito com equipes que vão colher os depoimentos e organizar esse depoimento na página. Não é uma wiki, que cada um entra e edita. A gente tem uma curadoria e a BIREME é que está a cargo desse processo, já com uma larga experiência.

Imagem principal: Ana Estela Haddad, secretária de informações e saúde digital do Ministério da Saúde (Sedigi-MS) (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

 

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