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Brasil ‘flerta com perigo’, mas mostra reação e evita queda

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A classificação do Brasil na Copa do Mundo veio com sofrimento, mas também deixou lições importantes. A vitória por 2 a 1 sobre o Japão, conquistada apenas aos 50 minutos do segundo tempo, mostrou uma Seleção Brasileira capaz de reagir diante da adversidade, mas também evidenciou problemas que precisarão ser corrigidos para que o sonho do hexacampeonato continue vivo.

Primeiro tempo fraco

O primeiro tempo foi muito fraco. Apesar da ampla posse de bola, o Brasil teve enorme dificuldade para transformar o controle em chances realmente perigosas. O Japão apresentou exatamente o que havia prometido: organização defensiva, linhas compactas e inteligência para explorar os espaços deixados pela Seleção.

O gol de Kaishu Sano nasceu justamente de uma das poucas falhas brasileiras na saída de bola. Danilo errou o passe, a defesa ficou desorganizada e os japoneses aproveitaram com eficiência. Mais do que o erro individual, o lance escancarou uma equipe que, naquele momento, circulava a bola sem velocidade e pouco agredia a última linha adversária.

Mudanças e melhora na segunda parte

Ancelotti percebeu rapidamente que insistir no mesmo plano dificilmente traria resultado. Se no primeiro tempo o Brasil buscava infiltrações por dentro, na etapa final a estratégia mudou. A Seleção passou a acelerar mais as jogadas pelos lados, aumentou o volume de cruzamentos e passou a ocupar a área com mais jogadores. Foi justamente dessa maneira que surgiu o empate de Casemiro, aproveitando cruzamento preciso de Gabriel Magalhães.

A partir do empate, o jogo mudou completamente. O Brasil recuperou confiança, aumentou a intensidade da pressão e finalmente conseguiu encurralar o Japão em seu campo defensivo. Vinícius Júnior cresceu na partida, Bruno Guimarães passou a comandar as ações no meio-campo e a equipe passou a criar oportunidades em sequência.

Substuições questionadas, mas efetivas

Outro mérito importante de Ancelotti foi a leitura das substituições. A entrada de Endrick deu mais presença física dentro da área, enquanto Gabriel Martinelli ofereceu exatamente o que o treinador buscava: intensidade, profundidade e movimentação constante. Além de marcar o gol da classificação, o atacante abriu espaço para que Vinicius Junior atuasse mais próximo da linha de fundo, cenário que aumentou significativamente o poder ofensivo brasileiro.

Camisa 8 é destaque

Bruno Guimarães também merece destaque. Mesmo sem balançar as redes, foi o principal articulador da reação brasileira. Participou da pressão, distribuiu o jogo com qualidade e encontrou um passe preciso para Martinelli decidir a partida já nos acréscimos.

Ainda assim, a classificação não deve esconder algumas preocupações. O Brasil voltou a encontrar dificuldades diante de uma defesa muito fechada e, por longos períodos, pareceu previsível. Em confrontos contra seleções ainda mais qualificadas, depender de um gol aos 50 minutos do segundo tempo pode custar caro.

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Outro ponto de atenção é a situação física do elenco. Lucas Paquetá deixou o gramado lesionado ainda no intervalo, enquanto Casemiro precisou ser substituído na reta final após sentir dores. São peças importantes em um torneio curto e qualquer ausência aumenta o desafio para Ancelotti.

Qual saldo?

O saldo, porém, é positivo. Em Copas do Mundo, nem sempre os grandes candidatos avançam com atuações brilhantes. Muitas vezes, é justamente a capacidade de sofrer, adaptar-se ao adversário e encontrar soluções durante a partida que separa os campeões dos eliminados. Contra o Japão, o Brasil mostrou exatamente essa maturidade.

Agora, independentemente de enfrentar Costa do Marfim ou Noruega nas oitavas de final, a Seleção leva consigo uma classificação dramática, uma demonstração de força mental e a certeza de que, para seguir sonhando com o hexa, precisará repetir o futebol do segundo tempo e esquecer os problemas apresentados na primeira etapa.





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