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Flash entra em recrutamento e seleção e busca uma “vaga” em um mercado de R$ 2 bilhões

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Fundada pelos irmãos Pedro e Guilherme Lane e por Ricardo Salem, a Flash chegou ao mercado em 2019 como uma das startups dispostas a mexer com o mercado de benefícios. Na sequência, a empresa estendeu sua atuação para as áreas de gestão de pessoas e de despesas corporativas.

Depois de consolidar esses movimentos, a HR Tech está se candidatando a ocupar uma nova vaga no atendimento às demandas dos departamentos de recursos humanos (RH): o segmento de recrutamento e seleção.

“Depois da folha de pagamento, esse é o maior mercado do RH”, diz Guillermo Gomez, sócio e chief revenue officer da Flash, ao NeoFeed. “Nas nossas estimativas, o mercado endereçável total de RH no Brasil é de R$ 10 bilhões. E, dentro disso, o de recrutamento e seleção movimenta R$ 2 bilhões”.

Esse montante bilionário não foi o único ingrediente a despertar o apetite da Flash pelo novo segmento. Frutos de pesquisas internas feitas junto a clientes, outros dados contribuíram para a decisão de estrear nesse espaço.

“Hoje, um departamento de RH usa, em média, de sete a oito ferramentas para fazer a gestão do seu dia a dia”, afirma Guilherme Lane, cofundador e chief technology officer da Flash. “E outro problema é o tempo perdido com o trabalho de consolidar e gerenciar dados de diferentes plataformas”.

Esses estudos avançaram para a percepção de que não havia nenhum player com uma oferta que integrasse todos esses processos. E para o entendimento de que a Flash poderia preencher essa lacuna, em particular, junto às pequenas e médias empresas (PMEs), que são maioria em sua base de clientes.

“Atualmente, mais de um terço das pequenas e médias empresas no Brasil ainda usa Excel para recrutamento e seleção”, complementa Gomez. “E isso cria uma dor gigante para essas companhias, que não têm a mesma estrutura de um cliente enterprise”.

Ponto de partida dessa jornada, a nova área era justamente a peça que faltava para viabilizar a tese da Flash. Agora, sua aposta é centralizar em uma única plataforma todas as rotinas do RH – da seleção à admissão, controle de ponto e férias, treinamento, gestão de performance e engajamento.

Com a visão de consolidar um sistema de gestão para os RHs, esse modelo inclui ainda o uso da inteligência artificial (IA) para automatizar, agilizar e dar mais fluidez a essa jornada. Bem como a integração com as ferramentas e dados de gestão de benefícios e de despesas corporativas da Flash.

Essa oferta está sendo lançada com recursos como a publicação e a descrição automática de vagas em plataformas como LinkedIn e Indeed; banco de talentos centralizado; painel de métricas; e ferramentas para os gestores acompanharem os processos de seleção. Mas já evoluções no radar.

“Vamos investir em frentes como padrões comportamentais e o cruzamento de informações com outros módulos que temos, como gestão de performance”, diz Lane. “Mas ainda estamos no início dessa jornada. Precisamos gerar uma base de dados com essa oferta para dar esses e outros passos”.

Diferentemente das entradas nos segmentos de gestão de pessoas e de despesas, que tiveram como atalho aquisições, o caminho escolhido para estrear em recrutamento e seleção foi feito organicamente. E começou a ser percorrido há cerca de um ano, com o desenvolvimento dessa plataforma.

Esse processo é parte de um investimento de R$ 400 milhões projetado pela Flash para 2026. Segundo a companhia, que já captou mais de R$ 800 milhões junto a gestoras como Tiger Global e Global Founders Capital, esses recursos estão sendo financiados com caixa próprio.

O aporte milionário de recursos previsto para o ano tem dois destinos. O primeiro é seguir impulsionando os negócios de gestão de benefícios, frente que ainda é o carro-chefe da startup. E, o segundo, escalar as unidades de negócio mais recentes de gestão de pessoas e de despesas.

Guilherme Lane (à esq.), Pedro Lane e Ricardo Salem, os fundadores da Flash

A startup não revela qual é a divisão atual da receita dentro desse pacote. Mas dá uma amostra do quanto essa diversificação já está se traduzindo em resultados. Hoje, um universo entre 20% e 25% dos clientes já usa mais de uma solução da companhia.

Em outro dado, a metade dos clientes que entra mensalmente no ecossistema da empresa já contrata mais de uma ferramenta desse portfólio. Nesse cenário, a Flash projeta que as novas áreas de negócios representem, em poucos anos, metade do faturamento total da operação.

Outros candidatos

A plataforma de recrutamento e seleção é uma das vias para transformar essa projeção em realidade. E para escalar essa oferta, o principal caminho será explorar as vendas na própria base da Flash.

Atualmente, essa carteira cobre mais de 2 milhões de vendas. por meio de mais de 60 mil empresas, numa relação que, além de milhares de PMEs, inclui nomes como Suzano, Pepsico, Grupo Soma, Danone, Votorantim, Ford e Mondelez.

O fato é que, assim como a Flash, outras HR Techs também estão se movimentando para consolidar plataformas que cobrem diversas rotinas dos departamentos e profissionais do RH, turbinadas por IA. E, da mesma forma, essas empresas também têm investidores de peso no seu captable.

Esse é o caso da Sólides. Fundada em 2010, a startup já captou mais de R$ 540 milhões com gestoras como Warburg Pincus e DGF. Parte desses recursos foi aplicado em M&As e na construção de uma oferta com módulos como recrutamento e seleção, performance, retenção e gestão comportamental.

Diferentemente da Sólides e da própria Flash, mais focadas em PMEs, outros dois nomes que estão disputando esse espaço com portfólios cada vez mais abrangentes são a Gupy e a LG lugar de Gente. A dupla é mais centrada, porém, em empresas de grande porte.

A Gupy começou justamente na área de recrutamento e seleção, e já levantou cerca de R$ 550 milhões junto a investidores como Softbank e Riverwood. Já a LG lugar de Gente atraiu as gestoras de private equity H.I.G. Capital e HIX Capital.

Outro nome mais recente a entrar nesse front é a Tako. Fundada, em 2022, com uma tese já fortemente guiada pela IA, a startup levantou R$ 175 milhões com fundos como Ribbit Capital e Andreessen Horowitz.

Ao que tudo indica, a Tako planeja seguir, porém, um roteiro diferente. Após chegar ao mercado centrada em folha de pagamento, a empresa ampliou seu escopo para áreas como recrutamento. E, recentemente, elegeu a expansão internacional, começando pelos EUA, como um dos seus focos.



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