A sanha expansionista da Ruiz Coffees deixou um gosto amargo. Mesmo com as margens excepcionais dos últimos anos, o segundo maior produtor de café do País foi à Justiça para suspender os pagamentos de todas as dívidas aos credores — o que deve trazer repercussões para o mercado de capitais.
Em um decisão que ainda está em sigilo, o grupo que agora é comandado por João Luiz Lourenço Filho — o patriarca morreu em março de 2025 — conseguiu uma medida cautelar para suspender as dívidas por 60 dias, apurou The AgriBiz.
A cautelar foi concedida na segunda-feira pelo juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf, da Vara Regional Empresarial de São José do Rio Preto, no interior paulista.
Se Ruiz não conseguir chegar a um acordo com os credores durante os próximos dois meses, o processo pode se transformar em uma recuperação judicial.
A piora da situação financeira da Ruiz Coffees vinha circulando pela Faria Lima nas últimas semanas, mas ainda havia dúvidas se o produtor rural tomaria mesmo esse caminho.
Uma recuperação judicial pode ter consequências difíceis para o grupo. Para sustentar a rápida expansão dos últimos anos, a Ruiz Coffees deu várias fazendas em alienação fiduciária — um tipo de garantia que fica de fora desse tipo de processo e dá maior proteção aos credores.
Com mais de 9 mil hectares de café de café arábica espalhados em Minas Gerais e Bahia, a Ruiz começou a acessar o mercado de capitais em 2021, inicialmente com a emissão de um CRI (Certificação de Recebíveis Imobiliários) e posteriormente de CRAs.
No pedido enviado à Justiça, o grupo citou a proximidade dos vencimentos de operações feitas no mercado de capitais como um risco à solvência do grupo. Entre essas operações com vencimento próximo, estão títulos detidos pelos Fiagros de gestoras como Vectis (VCRA11) e Galápagos (GCRA11).
Além desses dois fundos, o Fiagro de crédito da Suno (SNAG11) é outro credor do produtor rural, com uma exposição de 5,67% do patrimônio líquido.
Em comum, os três fundos possuem alienação fiduciária como garantia. Ainda que a Justiça demore para executar as garantias, algo comum no Brasil, as fazendas certamente passariam às mãos dos fundos.
Considerando apenas os CRAs, as dívidas da Ruiz Coffees somam pelo menos R$ 300 milhões.
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Em nota, a Ruiz enviou uma nota, que segue na íntegra.
“O Grupo Ruiz informa que adota uma postura de absoluta conformidade com as normas legais e, por essa razão, não realizará manifestações públicas detalhadas sobre procedimentos judiciais em curso que estejam submetidos a segredo de justiça.
A companhia ressalta, contudo, que suas operações produtivas e comerciais permanecem em funcionamento integral e normal, sem qualquer interrupção. A colheita, o beneficiamento e a distribuição de café para os mercados nacional e internacional seguem ativos, protegendo os postos de trabalho, a cadeia de fornecedores e o atendimento aos clientes, mantendo o padrão de excelência e o cumprimento de contratos que balizam a história da marca há quase um século.
O Grupo Ruiz reitera que mantém canais oficiais abertos e reafirma seu compromisso com a transparência, com a segurança jurídica de suas relações e mantém total confiança no diálogo construtivo com suas instituições parceiras e investidores para a consolidação de uma base de negócios ainda mais sólida e perene”.




